Entenda o que Jesus disse às 7 igrejas de Apocalipse: Sardes

Escatologia e Fim dos Tempos.

Fonte: Guiame, Cris BeloniAtualizado: segunda-feira, 18 de março de 2024 às 17:36
Ruínas da antiga igreja em Sardes. (Captura de tela: YouTube/Turquia para você)
Ruínas da antiga igreja em Sardes. (Captura de tela: YouTube/Turquia para você)

“Escreva num livro o que você vê e envie a estas sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia". (Ap 1.11)

Vamos ao contexto

A glória de Sardes estava no seu passado. No sexto século a.C., a cidade tinha sido a capital do reino da Lídia e, mais tarde, um centro de governo dos persas.

Seu principal comércio era a tintura de tecidos. Conforme conta Douglas Gonçalves, do movimento JesusCopy, a aplicação da tinta contava com uma técnica muito avançada, ao ponto de produzir imagens nas roupas, uma espécie de silk screen dos dias atuais.

A cidade já não tinha importância alguma nos tempos do Novo Testamento, por não ter um referencial político. Seu único destaque era pelo fato de que nela se encontravam diversas estradas romanas extensas e também era um centro industrial de produtos de lã e tinturaria. As fábricas de roupas em Sardes eram muito famosas.

O culto mais importante em Sardes era o da deusa Cibele, além do culto ao imperador. O povo acreditava que Cibele tinha o poder de ressuscitar os mortos e as festas que se faziam em homenagem a ela eram as mais degradantes.

A cidade ficava no alto de um planalto. O povo tinha uma vida luxuosa, por outro lado, espiritualmente, era apático e sem vida. Não há registros sobre a hostilidade dos judeus, nem perseguição pública aos cristãos e nem mesmo falsas doutrinas.

O problema de Sardes era a “apatia espiritual”. Esse é um tema muito relevante para o nosso tempo e merece bastante atenção. Apatia quer dizer insensibilidade emocional, desinteresse ou indiferença. A igreja no Brasil pode estar vivendo um momento como esse.

“Ao anjo da igreja em Sardes escreva: Estas são as palavras daquele que tem os sete espíritos de Deus e as sete estrelas.” (Ap 3.1)

O termo “sete espíritos de Deus” é uma alusão à plenitude do Espírito Santo, como em Ap 1.4 onde cita os “sete espíritos diante do Trono”.

O problema da igreja em Sardes era a “morte espiritual” e Jesus Cristo, que tem o Espírito Santo de forma plena, era o único capaz de devolver a vida àquela igreja.

Sobre as “sete estrelas” entendemos a preocupação e o cuidado que Cristo tem pela sua igreja. Mesmo em estado de morte, Ele estava ali cuidando dela.

“Conheço as suas obras; você tem fama de estar vivo, mas está morto.” 

(Ap 3.1)

A situação da Igreja em Sardes não era detectável aos olhos das demais igrejas. Perceba isso nas seguintes palavras “você tem fama de estar vivo, mas está morto”. Sua fama se devia às suas obras. Será que isso não acontece em nosso tempo também?

Muitas igrejas são famosas pelas suas obras missionárias, pelas suas campanhas e pelo seu bom desempenho na mídia. Mas como será a vida dessas igrejas aos olhos de Deus?

Conforme Douglas, Sardes parecia ser “uma igreja incrível diante dos homens”, mas morta diante de Deus. Era a igreja da imagem e da fama, que acabou deixando a cultura da cidade entrar.

Segundo ele, não há cura para a igreja que idolatra sua própria imagem, sustentando a fama de “estar viva”, mesmo estando morta, porque a cura só chega para quem reconhece a própria fraqueza. 

Assim como Jesus conheceu a situação interna de cada uma das igrejas na Ásia, Ele conhece a realidade de cada denominação que se diz cristã, hoje em dia, seja ela grande ou pequena. É necessário entender que as atividades religiosas não garantem o vigor espiritual.

“Esteja atento! Fortaleça o que resta e que estava para morrer, pois não achei suas obras perfeitas aos olhos do meu Deus. Lembre-se, portanto, do que você recebeu e ouviu; obedeça e arrependa-se.” (Ap 3.2-3)

Sobre a igreja “se manter atenta” tem relação com a Igreja em Sardes ter sido atacada duas vezes por falta de vigilância de seus defensores.

‘Fortaleça o que resta e que estava para morrer’

A igreja precisava de “avivamento”, no sentido de esperança coletiva, pois havia restado pouca força e pouca vitalidade de maneira geral. E no sentido individual, parece que havia poucas pessoas também dispostas a seguir com a fé genuína em Cristo. Se o avivamento não acontecesse, até esse pequeno remanescente seria vítima da morte espiritual.

Jesus ainda disse “não achei suas obras perfeitas”, ou seja, a igreja era conhecida e famosa pelas suas boas obras aos olhos dos homens, mas eram “obras condenáveis” aos olhos de Deus.

Quando as atividades religiosas não atingem a espiritualidade, elas não passam de pura formalização. Sem a inspiração do Espírito Santo, vamos à igreja simplesmente para “bater cartão”.

É o que acontece, nos dias de hoje, quando o cristianismo tem se tornado totalmente nominal, ou seja, se destaca em todos os aspectos externos e formais, mas aos olhos de Deus não faz a menor diferença.

‘Lembre-se do que você recebeu’

João lembra aos cristãos de suas primeiras experiências com o Evangelho e alerta para que conservem a devoção inicial. Aqui praticamente vemos, mais uma vez, o chamado ao “primeiro amor”, como o que foi feito à Igreja em Éfeso.

Muitas igrejas desta geração podem se identificar com a Igreja em Sardes, que “tem fama de estar viva, mas está morta”.

“Mas se você não estiver atento, virei como um ladrão e você não saberá a que hora virei contra você.” (Ap 3.3)

A expressão “virei como um ladrão” é usada para se referir à segunda vinda de Cristo, enfatizando que Ele virá de repente, quando ninguém o espera. Os cristãos são alertados para não serem pegos de surpresa. Relembre aqui:

“Mas vocês, irmãos, não estão nas trevas, para que esse dia os surpreenda como ladrão. Vocês todos são filhos da luz, filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas. Portanto, não durmamos como os demais, mas estejamos atentos e sejamos sóbrios.” (1 Ts 5.4-6)

Recompensa ou promessa ao “vencedor” 

“No entanto, você tem aí em Sardes uns poucos que não contaminaram as suas vestes. Eles andarão comigo, vestidos de branco, pois são dignos. O vencedor será igualmente vestido de branco. Jamais apagarei o seu nome do livro da vida, mas o reconhecerei diante do meu Pai e dos seus anjos.” (Ap 3.4-5)

Estar “vestido de branco”, conforme alguns estudiosos, se refere à ressurreição corporal, enquanto outros explicam que as vestes brancas simbolizam a pureza dos fieis que entrarão no Reino messiânico.

O “nome no livro da vida” é uma metáfora, ou seja, quer dizer que tais pessoas estão com a salvação e vida eterna garantidas. Veja aqui alguns textos bíblicos relacionados:

“Contudo, alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos nos céus.” (Lc 10.20)

“Sim, e peço a você, leal companheiro de jugo, que as ajude; pois lutaram ao meu lado na causa do evangelho, com Clemente e meus demais cooperadores. Os seus nomes estão no livro da vida.” (Fp 4.3)

“...à igreja dos primogênitos, cujos nomes estão escritos nos céus. Vocês chegaram a Deus, juiz de todos os homens, aos espíritos dos justos aperfeiçoados.” (Hb 12.23)

Quando Jesus disse “o reconhecerei diante de meu Pai e dos seus anjos”, tem a ver com uma promessa que Ele fez diante dos discípulos.

“Quem, pois, me confessar diante dos homens, eu também o confessarei diante do meu Pai que está nos céus.” (Mt 10.32)

Conclusão

Precisamos vencer a idolatria da nossa própria imagem, conforme destacou Douglas durante sua pregação sobre as 7 Igrejas do Apocalipse. Por termos a necessidade humana de aceitação, muitas vezes, podemos fingir uma santidade que nunca existiu, simplesmente para ter uma imagem de “crente perfeito”.

“Jesus não tem problema algum com o pecador, Ele tem problema com quem finge que não é pecador”, destacou o líder do JesusCopy ao observar que, pelos relatos bíblicos, as prostitutas eram mais íntegras do que os fariseus.

Para que haja libertação é necessário ouvir o que Jesus disse para a Igreja em Sardes: “Obedeça e arrependa-se”, pois “não achei suas obras perfeitas aos olhos do meu Deus”.

É tempo de parar de fingir, de usar máscaras  e de viver de aparências. É tempo de encarar a realidade para não sermos considerados “sepulcros caiados”, formosos por fora e podres por dentro.

Jesus nos chama a viver o Evangelho puro e verdadeiro. Ele quer que sejamos sinceros e transparentes. Ele espera que o amor Dele seja compreendido — um amor que salva, acolhe e nos constrange.

“Jamais apagarei o seu nome do livro da vida, mas o reconhecerei diante do meu Pai e dos seus anjos. Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas”. (Apocalipse 3.5,6)

E esse foi o estudo desta semana. Espero ter tirado sua dúvida e também colaborado para seu crescimento espiritual. Beijo no coração e até a próxima, se Deus quiser!

Por Cris Beloni, jornalista cristã, pesquisadora e escritora. Lidera o movimento Bíblia Investigada e ajuda as pessoas no entendimento bíblico, na organização de ideias e na ativação de seus dons. Trabalha com missões transculturais, Igreja Perseguida, teorias científicas, escatologia e análise de textos bíblicos.

*O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Entenda o que Jesus disse às 7 igrejas de Apocalipse: Tiatira

Este conteúdo foi útil para você?

Sua avaliação é importante para entregarmos a melhor notícia

Siga-nos

Mais do Guiame

O Guiame utiliza cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência acordo com a nossa Politica de privacidade e, ao continuar navegando você concorda com essas condições