Se punem Maurício Souza hoje, o que farão com os pastores amanhã?

Maurício Souza durante partida da seleção brasileira nos Jogos Olímpicos de Tóquio.| (Foto: Miriam Jeske/COB)

Maurício Souza durante partida da seleção brasileira nos Jogos Olímpicos de Tóquio.| (Foto: Miriam Jeske/COB)

Publicado em Sexta-feira, 29 Outubro de 2021 as 2:49

Quem milita nas causas culturais há muitos anos, como eu, sabe que a reação absurda a um comentário feito pelo jogador de vôlei Maurício Souza, sobre o novo personagem do Superman, que é bissexual, é fruto de uma agenda ideológica que vem sendo implantada na sociedade ao longo de vários anos, gradualmente e com vários propósitos.

Não sei disso apenas por conhecimento teórico, mas por experiência de vida, pois eu mesma já fui vítima diversas vezes do "cancelamento" virtual e até judicial, através de processos movidos por grupos de ativistas LGBTs contra mim, os quais tentaram cassar o meu registro de psicóloga através de falsas acusações, o que não conseguiram.

Esse é o tipo de coisa que já vinha acontecendo, está e continuará em maior gravidade com qualquer pessoa que se levantar contra a ditadura do "politicamente correto", como fez o Maurício ao fazer um simples comentário sobre o personagem do Superman bissexual. E nesse quesito, chamo atenção para o fato de que a legislação atual não garante mais a mesma segurança que tínhamos no passado.

Muito embora a Constituição Federal, em seu Art. 5°, nos parágrafos IV, VI e IX, afirme garantir a liberdade de expressão, de consciência, crença, liberdade religiosa, produção intelectual (científica) e de comunicação, já existe no Brasil uma jurisprudência sendo construída no sentido de punir pessoas pela falaciosa acusação de "homofobia" e/ou "discurso de ódio".

Além disso, diversos projetos de lei já foram criados nos mesmos moldes do antigo PL122, contra o qual fui uma das denunciadoras na época da sua tramitação, em 2012, como simples defensora do conservadorismo no Congresso Nacional, lado a pessoas como o pastor Marcos Feliciano e ao então deputado Jair Bolsonaro.

Esses projetos têm por finalidade transformar a opinião sobre comportamentos e moralidades em crime de "ódio" e "discriminação", e se engana quem pensa que os líderes religiosos estarão imunes a isso. A intenção do ativismo LGBT (não confundir com pessoas) não é conviver com o diferente de modo respeitoso, mas sim moldar a forma como a sociedade deve enxergar a natureza do comportamento humano.

E para isso acontecer, eliminar a pregação religiosa sobre o que a Bíblia ensina sobre família e sexualidade é um passo necessário. A intenção é fazer isso através da manipulação dos conceitos de "discurso de ódio" e "discriminação", de modo que os pastores, padres e líderes cristãos em geral, passem a se sentir intimidados de pregar os trechos da Palavra de Deus que abordam esses assuntos, o que já é uma realidade!

Como também já escrevi em outro artigo esta semana, portanto, o massacre virtual de uma minoria autoritária sobre Maurício Souza é só mais uma prova do que poderá acontecer com os pastores amanhã, caso a Igreja e a sociedade em geral não se levante agora para defender o cumprimento à risca de todo o Art. 5° da Constituição Federal, e ao pé da letra! 

Se agora estão fazendo isso com um atleta renomado e mundialmente conhecido como o Maurício, o que poderão fazer com "pequenos" líderes religiosos de comunidades, anônimos e sem visibilidade para obter algum apoio moral e judicial?

Hoje já vemos pastores sendo acusados injustamente por posicionamentos semelhantes, tendo que prestar esclarecimentos em delegacias, como ocorreu recentemente com o querido Jorge Linhares, após dizer que "menino nasce menino e menina nasce menina". Amanhã, se não reagirmos agora, será muito pior!

Por Marisa Lobo é psicóloga, especialista em Direitos Humanos, presidente do movimento Pró-Mulher e autora dos livros "Por que as pessoas Mentem?", "A Ideologia de Gênero na Educação" e "Famílias em Perigo".

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: As antifeministas não são uma "aberração"

 

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