Ahhh, não posso mais brincar de estuprar

(Foto: Noah Buscher/Unsplash)

(Foto: Noah Buscher/Unsplash)

Publicado em Terça-feira, 12 Março de 2019 as 12:51

Você não leu errado o título deste texto. O lamento não é um trocadilho infame com o objetivo de atrair leitores desavisados, antes fosse. O lamento é real e indigesto. Em meio a uma sociedade manca, até os lamentos são desprovidos de racionalidade, lamenta-se por qualquer coisa, até por coisas que não se deveria em hipótese alguma lamentar.

E quem lamenta não poder brincar de estuprar? Os jogadores e os criadores do jogo que, além de possibilitar o estupro, também permite necrofilia e assassinato. Era tudo o que não precisávamos e, como já se tornou comum nestes tempos marcados por desamor, desrespeito, rebeldia, irracionalidade e total mergulho na carnalidade, em fevereiro o tal jogo foi lançado.

Trata-se de um videogame no qual o jogador pode assediar, matar e estuprar mulheres, estava disponível na maior plataforma de vendas de jogos do mundo, Steam. Mas depois de uma avalanche de protestos ele foi proibido.

O nome do jogo é “Rape Day” (Dia do Estupro). O jogo foi descrito pelo seu desenvolvedor, a Desk Plant, como “uma novela visual onde o jogador controla as escolhas de um sociopata durante um apocalipse zumbi, durante o qual é possível agredir verbalmente, matar pessoas e violentar mulheres à medida que a história avança”.

A fim de justificar o desenvolvimento e o lançamento de um jogo de natureza no mínimo questionável, a Desk Plant afirmou a reportagem do “Daily Mail” que tem como público-alvo os “4% da população que são sociopatas”, e que também “curtam bancar o estuprador e assassino em série durante um apocalipse zumbi”.

“Ultrajante. Criminoso. Revoltante.” São algumas das palavras usadas na enxurrada de protestos que recebeu a plataforma. Protestos estes que fez com que o jogo fosse proibido e suspendido. Leu direito? Suspendido! Ou seja, está apenas suspenso, estão analisando se dá ou não para o jogo voltar a ficar disponível. Nojo. Este parágrafo só dá pra terminar como começou: ultrajante, criminoso, revoltante.

Conseguiu sentir o cheiro de cinismo no ar? O “joguinho” foi desenvolvido para atender as carências das taras de sociopatas, porque afinal, tadinhos, eles precisam de... esquece, deixa pra lá. Também foi criado pensando em quem curte estuprar e matar durante um.. sei lá.. talvez... quem sabe... um apocalipse zumbi. Oi?!? Esperar o quê de uma sociedade que exalta o errado e aniquila o que é certo todo dia?

Cada vez mais o homem vai se distanciando de Deus através de suas inconsequentes escolhas. Hoje, nossa sociedade já está colhendo os frutos do que vem plantando nas últimas décadas. A prova é a própria ciência. Tecnologia e medicina só melhoram, poderíamos, portanto, estar vivendo o ápice da prosperidade e do sucesso em nossa civilização. Mas não, assim como se multiplica a ciência, também se multiplica a frieza e a sequidão no coração do homem. A constatação inevitável é que as colheitas de amanhã serão ainda piores.

Que a gente saiba escolher melhor os nossos lamentos. Com o Espírito vamos gemer os gemidos inexprimíveis, junto com a criação vamos também gemer as dores como daquela que está para parir, vamos gemer pelas vidas que se perdem e não conseguem reconhecer as oportunidades que o céu ainda insiste em nos dar. Vamos, enfim, gemer por Maranata, pois todo o resto são “joguinhos” para enganar nossa crença e ridicularizar a nossa fé.

Edmilson Ferreira Mendes é teólogo. Atua profissionalmente há mais de 20 anos na área de Propaganda e Marketing. Voluntariamente, exerce o pastorado há mais de dez anos. Além de conferencista e preletor em vários eventos, também é escritor, autor de quatro livros: '"Adolescência Virtual", "Por que esta geração não acorda?", "Caminhos" e "Aliança".

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