Lições que aprendemos com George Floyd

Terrence Floyd, irmão de George Floyd, pede o fim dos protestos violentos. (Foto: Reprodução/Stephen Maturen/ Getty Images/AFP)

Terrence Floyd, irmão de George Floyd, pede o fim dos protestos violentos. (Foto: Reprodução/Stephen Maturen/ Getty Images/AFP)

Publicado em Quinta-feira, 18 Junho de 2020 as 1:13

25 de maio de 2020. Foi neste dia que o afro-americano George Floyd, com apenas 46 anos de idade, foi esmagado com um joelho em seu pescoço por intermináveis 8 minutos e 46 segundos, enquanto repetia: não consigo respirar, não consigo respirar, não consigo respirar... até ser asfixiado e vir a óbito. Motivo alegado para a abordagem: teria usado uma nota falsa de 20 dólares. Oi?!? 20 dólares? Existem duas possibilidades. Ele sabia da nota falsa. Não, ele não sabia. Agora reflita. Quantos de nós não podemos ter recebido, sem desconfiar, uma nota falsa e naturalmente a passou pra frente sem qualquer maldade? Mas independente do que tenha sido, a consequência foi injustificável, deplorável, monstruosa.

A imagem do seu sufocamento viralizou mundo afora, instalando uma convulsão social instantânea. Mais de 140 cidades registraram manifestações. Mais de 40 mil pessoas foram detidas. Centenas de negócios foram vandalizados, incendiados, destruídos. Tudo isso somente nos Estados Unidos, pois em várias partes do mundo ocorreram manifestações. Revolta e indignação explicam.

Explicam, mas não justificam. Passados alguns dias, mais precisamente em primeiro de junho, numa vigília de oração, um dos irmãos de George Floyd, pronunciou as seguintes palavras: “Se eu não ando por aí a agir como um louco, se não ando por aí a arrebentar coisas, se não ando por aí a perturbar a minha comunidade, então por que andam vocês? Que raio estão vocês a fazer? Nada disso vai trazer George de volta. Minha família é uma família pacífica. Minha família respeita Deus. Em todos os casos de brutalidade policial, a mesma coisa acontece, vocês protestam, destroem coisas e eles não se mexem, sabem por quê? Porque não são as coisas deles. Eles querem que destruamos as nossas coisas. Vamos fazer isso de outra maneira. Parem de pensar que nossa voz não importa e votem. Somos muitos, e ainda podemos fazer isso da maneira pacífica. Estou orgulhoso pelos protestos, mas não pela violência.” Palavras de um verdadeiro pacificador, boa parte da mídia, no entanto, asfixiou estas palavras, não deu espaço, pois a paz parece não interessar a determinados setores da mídia.

Vidas pretas importam? Evidente que sim. Como afirmou Martin Luther King: A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça a justiça em toda a parte. Indicando que todas as vidas importam, brancas, negras, femininas, masculinas, infantis, deficientes, especiais, assim como aquelas que chamamos de feto. E todos nós, representantes de todas as vidas, nos unimos neste momento da história para acudirmos, socorrermos e ajudarmos a apagar o incêndio que ataca nossos irmãos, e com eles também gritarmos alto e claro: Sim, vidas pretas importam.

E importam porque estamos todos na mesma corrida. Que o diga o menino pobre que aos dez anos de idade, após vencer uma corrida de kart, disse para Ron Dennis: Eu quero pilotar para você. E ouviu a seguinte resposta: Me procure daqui 9 anos. O que aconteceu é que 3 anos depois foi Ron Dennis quem o procurou e o integrou ao grupo de formação de pilotos da escuderia Mc Laren. Estou falando de Lewis Hamilton. Fã confesso de Ayrton Senna, recordista de poles, primeiro campeão preto da fórmula um.

Na vida todos precisamos correr nossas corridas. Todos dependemos de uma equipe. Todos sonhamos com a bandeira quadriculada no final. Existem muitas histórias sobre a origem da bandeira. A que eu mais gosto é esta: Em corridas de cavalos na segunda metade do século dezenove, enquanto os homens corriam, ia sendo preparado um banquete.  Tecidos quadriculados eram sacudidos quando o banquete ficava pronto, então a corrida terminava e estes tecidos serviam de toalha para o banquete. A ideia do banquete é fantástica, porque nos remete a uma utopia romântica que, ao final, todos ganham, nem que seja o almoço!

“Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher, pois todos são um em Cristo Jesus.” Palavras de Paulo aos Gálatas 3:28. O evangelho nos iguala e, nesta corrida que estamos, não importa se primeiro ou último a passar pela bandeirada final da história, pois todos que passarem serão chamados de vencedores e se assentarão para um grande banquete. Talvez por isso a bandeira seja quadriculada e desejada por corredores de todas as nacionalidades, pois por ela podem passar pretos e brancos. Nesta corrida, fique firme em Cristo e em seu evangelho, afinal, vidas salvas importam.

Edmilson Ferreira Mendes é teólogo. Atua profissionalmente há mais de 20 anos na área de Propaganda e Marketing. Voluntariamente, exerce o pastorado há mais de dez anos. Além de conferencista e preletor em vários eventos, também é escritor, autor de quatro livros: '"Adolescência Virtual", "Por que esta geração não acorda?", "Caminhos" e "Aliança".

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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