Quando estamos de barriga cheia

(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

Publicado em Quinta-feira, 3 Janeiro de 2019 as 4:41

Se estes dias fossem narrados pelas comidas que comemos ficaríamos assustados. É muito. É demais. Carnes, saladas, massas, doces, frutas, castanhas, bebidas, bolos, tortas, pavês, mousses, sorvetes, quitutes sem fim, de tudo se quer comer um pouco, ou muito! Enfim, o cardápio é extenso, farto, tentador e faz com que 99% decida deixar a dieta para depois das festas. Bem depois...

Resultado? O mais fácil de se perceber é a barriga cheia. Esqueça a educada frase “estou satisfeito”, ela não combina com a assustadora quantidade. A frase que se encaixa é a bruta “tô cheio!”. A barriga cheia você sabe, provoca azia, preguiça e muita sonolência. Além, é claro, dos riscos evidentes para uma boa saúde. Seria como se a música dos Titãs tivesse a seguinte letra: “A gente não quer só comida, a gente quer comida, muuuuita comida, mais comida e esquece diversão e arte!”

Provérbios 28:7 faz uma interessante comparação, cheia de sabedoria e que deveria nos fazer pensar: “Para quem está de barriga cheia, o mel mais doce não tem valor, mas para quem está  morrendo de fome qualquer sobra de comida é deliciosa.” Eis o problema dos excessos, nos fazem perder a capacidade de dar o devido valor às coisas e as pessoas.

Pegue como exemplo aquela igrejinha do interior. Observe como cada membro ouve com prazer e completa atenção cada palavra que ali é ministrada. Agora observe os grandes templos metropolitanos e note o pouco valor que ali se dá para a mesma ministração. A resposta é bastante óbvia, a igreja do interior está de barriga vazia, falta-lhe programações, bons músicos, bons pregadores, boa estrutura, boas opções, enquanto nos grandes templos sobram opções e recursos, sobra mel a lambuzar seus caprichos, mel doce, porém sem qualquer valor para os de barriga cheia.

Os dois extremos são prejudiciais. Barriga cheia, barriga vazia. O conselho bíblico para um viver equilibrado se resume em uma palavra: temperança. Uma vida temperada na comida, nas amizades, na fé, no trabalho, no estudo, nos relacionamentos todos, é o que dá sabor e energia para enfrentarmos os desafios diários a que somos submetidos, dando o valor correto para cada pessoa, cada alimento, cada objeto, cada situação.

Termino este texto com uma frase dos textos judaicos: “A sabedoria para o espírito é como a comida para o corpo.” Portanto nos alimentemos primeiramente de sabedoria. Sabedoria? Mas como se alimentar? Simples, comece pelo devido temor a Deus, afinal “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo a prudência.” Provérbios 9:10.

Edmilson Ferreira Mendes é teólogo. Atua profissionalmente há mais de 20 anos na área de Propaganda e Marketing. Voluntariamente, exerce o pastorado há mais de dez anos. Além de conferencista e preletor em vários eventos, também é escritor, autor de quatro livros: '"Adolescência Virtual", "Por que esta geração não acorda?", "Caminhos" e "Aliança".

*O conteúdo do texto acima é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Deixe um comentário