Arrependeu-se de ter se arrependido

Por seu nacionalismo, Jonas prefere a morte à pregar para o povo de Nínive. (Imagem: JW)

Por seu nacionalismo, Jonas prefere a morte à pregar para o povo de Nínive. (Imagem: JW)

Publicado em Quarta-feira, 7 Novembro de 2018 as 11:56

O profeta Jonas foi enviado por Deus à grande cidade de Nínive, a capital do império Assírio. Essa cidade era grande por causa de suas monumentais muralhas de trinta metros de altura. Essas muralhas eram tão largas que uma carruagem podia celeremente correr sobre elas. E, ainda, eram fortalecidas por mil e duzentas torres de sentinelas. Mas, a cidade de Nínive era grande também pela sua maldade. Era uma cidade sanguinária. E ainda, mergulhada na idolatria e na feitiçaria. Os pecados dessa cidade subiram até Deus. Os assírios dominaram o mundo daquela época com crueldade desumana. Eram impiedosos com os povos conquistados. Pilhavam, mutilavam e matavam as pessoas com requinte de crueldade. Além disso, seduziam os povos com sua prostituição religiosa e com suas feitiçarias.

Deus envia a essa cidade iníqua o profeta Jonas. Por seu nacionalismo, Jonas prefere a morte à pregar a esse povo. Dispõe-se a fugir do Senhor. Porém, Deus coloca Jonas de volta no caminho da missão e a contragosto ele prega na cidade anunciando o juízo iminente de Deus. Com grande desgosto Jonas viu o arrependimento de toda a cidade com pano de saco e cinza.

Passados cento e cinquenta anos aos depois de Jonas, a cidade de Nínive voltou ao pecado, e ainda de forma mais açodada. O império Assírio dominou o reino de Israel e ainda cercou Jerusalém. Esse poderoso império destruiu a cidade de Tebas (Lo-Amon) e conquistou muitas outras cidades e acumulou riquezas sem conta. Diante da crueldade dos assírios, Deus levanta o profeta Naum para anunciar a destruição de Nínive e a preservação de Judá. A cidade de Nínive seria cercada e tomada. Os ninivitas não conseguiriam escapar. A ferida do povo era incurável. Aqueles que se arrependeram de terem se arrependido enfrentariam o juízo inexorável de Deus. A justiça divina reivindicaria o justo julgamento e a completa destruição desse povo cruel.

O livro de Naum ressalta tanto a justiça de Deus contra seus inimigos como o livramento providencial do povo da aliança. A mensagem de Naum é uma sentença de condenação para Nínive ao mesmo tempo que é uma boa nova de paz para Judá. Aqueles que ousam desafiar a Deus e massacrar os indefesos, tripudiando sobre eles, terão de enfrentar o reto juízo divino. Aqueles que à espada acumulam riquezas mal adquiridas verão seus tesouros sendo saqueados. Aqueles que impõem terror aos povos, sofrerão um terror ainda mais avassalador. Aqueles que semeiam a violência colherão os frutos malditos de sua semeadura insensata. Judá, porém, a despeito de sua fraqueza, ousou confiar no Senhor, e o Senhor tornou-se o seu libertador. Ao mesmo tempo que o castigo de Deus veio implacável sobre seus inimigos, Naum chegou dizer que o Senhor é bom, é fortaleza no dia da angústia e conhece aqueles que nele se refugiam.

No ano 612 a.C., um exército das forças aliadas, composto de caldeus, medos e citas cercaram a cidade de Nínive. As provisões foram cortadas. As enchentes do rio Tigre castigaram as muralhas, abrindo brechas nos muros. Por essas brechas os invasores entraram com suas carruagens velozes. A cidade foi tomada, saqueada e passada ao fio da espada. O terror tomou conta de todos. Príncipes e poderosos não puderam escapar. Ricos e grandes tombaram sem qualquer esperança de livramento. A cidade sanguinária foi banhada de sangue. A cidade cruel, foi cruelmente atacada. A cidade que, sem piedade pilhou as nações, agora é pilhada de forma avassaladora. O mal que os ninivitas plantaram por cinco séculos, agora estão colhendo das mãos de seus opressores.

A lição do profeta Naum é eloquente. Aqueles que depois de se arrependerem, voltam ao pecado; aqueles que se arrependem do arrependimento e voltam à iniquidade, serão quebrados repentinamente, sem que haja cura. Deus é tardio em irar-se, mas quando ele se levanta para exercer o seu juízo, ninguém pode escapar de sua poderosa mão. A ordem divina é: arrepender-se e viver ou não se arrepender e morrer.

 

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