Batalha espiritual no evangelismo

Joel Engel fala sobre batalha espiritual no evangelismo. (Foto: Reprodução/Joel Engel)

Joel Engel fala sobre batalha espiritual no evangelismo. (Foto: Reprodução/Joel Engel)

Publicado em Sexta-feira, 7 Junho de 2019 as 11:07

"Desde os dias mais antigos eu o sou. Não há quem possa livrar alguém de minha mão. Agindo eu quem pode desfazer?" (Isaías 43:13)

Existem pessoas que realmente precisam passar por uma grande guerra espiritual para serem alcançadas por Cristo. Eu mesmo testemunhei um caso assim, quando Deus mandou que eu ministrasse na vida de um homem que é parte da minha própria família.

Por diversas vezes eu já havia lhe apresentado o Evangelho, o plano de salvação, mas ele era uma pessoa de coração muito fechado. Eu não desistia de continuar tentando, mas suas respostas eram sempre repulsivas à Palavra de Deus.

Certo dia, próximo às festividades do Natal, Deus me ordenou que fosse à cidade de Cachoeira do Sul, onde estava esse homem e pregasse mais uma vez o Evangelho a ele.

Como ele era muito incrédulo, a orientação que recebi do Senhor foi que eu chamasse a esposa dele para oramos pra cura dela. Ela estava em tratamento psiquiátrico há muitos anos, vivia sob efeito de remédios controlados e frequentemente era possuída por demônios, ameaçando até mesmo matar o próprio marido e os filhos.

A cada momento, uma entidade diferente se manifestava nela e falava através de sua boca e assim aconteceu quando ela me encontrou. Então, Deus me revelou que por trás daquele demônio havia um principado e este principado estava à porta da casa comandando os demônios e se divertindo com aquela situação, ao vê-la possessa.

Naquele momento eu desafiei o principado e o questionei:

— Por que você não se manifesta pessoalmente, em vez de enviar seus demônios?

Reagindo ao meu desafio, o principado se manifestou naquela mulher e ela assumiu uma postura como que tentando ostentar sua “majestade”.

 — O que você quer aqui? — me perguntou aquela entidade, enfurecida pela minha ousadia.

Apesar da minha pouca experiência na área de batalha espiritual na época, eu já tinha compreensão do poder da Palavra de Deus no confronto com o inimigo — afinal, o próprio Jesus Cristo, quando foi tentado no deserto, o tempo todo respondeu a Satanás com o conteúdo das Escrituras.

Sendo assim, comecei a ler o Salmo 91 diante daquela mulher possessa e à medida que eu recitava aquela passagem, ela repetia as palavras que eu dizia, mas de forma desordenada, como que querendo me desconcentrar ou fazer com que aquelas frases perdessem seu sentido.

Mas eu me mantive firme, focado, não cedi às artimanhas daquele principado e quando cheguei à metade do Salmo, ele foi perdendo suas forças, baixando a voz e de repente ela deu um salto enorme. Então eu usei o Nome de Jesus, expulsei aquele principado do corpo dela e ele saiu, de modo que ela começou a falar normalmente.

Apesar daquela vitória marcante em meio à batalha espiritual que estávamos travando ali, o principado não desistiu e continuou ordenando que demônios se manifestassem no corpo da mulher e a cada manifestação, eu expulsava aquelas entidades em nome de Jesus, clamando pelo poder do Senhor naquele momento.

Inicialmente eu não entendi porque Deus havia me ordenado que conversasse com aquela mulher e me permitiu enfrentar aquela intensa batalha espiritual, mas a verdade é que à medida que expulsava aquela legião de demônios, o marido dela, aquele homem de coração tão duro via de forma clara a manifestação do poder de Deus sobre a vida de sua esposa e se convencia cada vez mais que não há nada mais poderoso que o braço forte do Senhor, que cura, liberta e tem o inimigo debaixo de Seus pés. Com isso, ele acabou se convertendo.

Jejum e oração fortalecendo os guerreiros de Deus

Apesar dos avanços naquela batalha espiritual, Deus me revelou que aquela guerra não seria curta, porque no capítulo 10 Daniel a Palavra mostra que a guerra contra os principados é prolongada e eles buscam a ajuda de outros principados, de modo que o combate pode parecer infindável aos olhos humanos.

Então, voltei daquela casa exausto, mas não disposto a desistir. Entrei em um jejum e convidei vários pastores de lá para estarem orando comigo em oração. Foram sete horas ininterruptas de intercessão. Naquela noite, durante todo o tempo em que estivemos em oração, nenhum demônio conseguiu possuí-la, mas quando a intercessão era interrompida ela ficava novamente possessa.

Quando soube disso, continuei jejuando por 40 dias com aqueles guerreiros de oração ao meu lado e à medida que a nossa dedicação de jejum e oração avançava, voltei a visitá-la diariamente, sempre travando essa batalha.

Cortando o mal pela raiz

Sempre que eu expulsava os demônios e saía daquela casa, a mulher recebia os pais de santo do terreiro próximo à sua casa para que eles a fizessem ser novamente possuída.

 — Não consigo mais deixar de ser possuída, estou “viciada” nos demônios — dizia ela.

Entendi que a Guerra havia avançado para um novo nível e então recorri aos membros da igreja para formarmos grupos de 24 horas por dia de Oração (ininterruptamente).

Como os pais de santo sempre visitavam a casa daquela mulher para ordenar que os demônios novamente a possuíssem, não nos restou outra alternativa, a não ser enfrentarmos e desafiarmos o centro de macumba. Para isso, Deus ordenou que eu desse sete voltas ao redor daquele lugar — assim como Josué fez em redor dos muros de Jericó.

Quando eu estava dando a última volta no local, o marido da mãe de santo que atuava naquele centro saiu da casa em minha direção armado com um revólver. Enquanto todos os membros do centro de macumba estavam reunidos para travar aquela batalha, eu não tinha ninguém ao meu lado naquele momento. Com muitos carros (dos membros do terreiro) trancando a rua, ele apontou a arma para mim e me impediu de dar a última volta.

Então, eu fui à Brigada Militar da cidade e lá havia um sargento (que já era convertido ao Evangelho) e expliquei a ele que eu precisava dar uma volta naquele quarteirão onde se localizava o centro de macumba e estava sendo impedido. Então, ele me “escoltou”, indo à frente do meu carro e conseguiu abrir o caminho para que eu desse aquela última volta.

Nesse momento, enquanto eu dava a última volta, a mãe de santo daquela casa faleceu. Após isso, o centro de macumba acabou sendo fechado e esse rapaz – marido da mãe de santo que havia falecido – se converteu, se tornando posteriormente um pregador do Evangelho.

Com essa experiência poderosa e riquíssima —  que vivenciei ainda nos meus primeiros confrontos em batalhas espirituais — Deus me ensinou algumas lições importantes que jamais esquecerei. São elas:

  • O poder da Palavra de Deus: Naquele primeiro embate contra a potestade, eu a desafiei, mas não conseguiria vencê-la sozinho. Precisei recorrer ao poder superior a mim, que são as Escrituras Sagradas. Somente depois que permaneci firme na leitura daquele trecho bíblico, a potestade sentiu-se intimidada e não foi pelo meu poder, mas sim pelo poder de Deus.
  • O poder do jejum e oração: Saber que enquanto estávamos jejuando e orando, os demônios não conseguiam possuir aquela mulher me motivou ainda mais a continuar fortemente naquela campanha para alcançar a vitória.
  • Não ter medo de combater a fonte do problema: Quando descobrimos que a fonte do problema estava no centro de macumba, não poderíamos nos intimidar. É bem verdade que não foi fácil, mas sabíamos que Deus estava conosco e, agindo Ele sobre nós, ninguém pode impedir (Isaías 43:13).
  • O Poder da oração da igreja: Ter a igreja intercedendo comigo foi crucial para alcançarmos essa vitória na batalha espiritual. Em Atos dos Apóstolos 12:5, vemos que “Pedro, pois, era guardado na prisão; mas a igreja fazia contínua oração por ele a Deus”. Quando a Igreja ora, unida, como Corpo de Cristo, sob direcionamento do Espírito Santo, as portas do inferno não prevalecem.

 

Por Joel Engel, pastor, líder do Ministério Engel, em Santa Maria (RS) e fundador do Projeto Daniel, que ajuda crianças órfãs em países da África.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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