Maldição na igreja

(Foto: iStock)

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Publicado em Quarta-feira, 1 Julho de 2020 as 2:37

Há uma maldição que assola a muitos na Igreja de Jesus Cristo. Faço essa afirmação ciente de que se trata de um assunto controverso.

Alguns questionariam: “Você não sabe que Jesus já Se fez maldição em nosso lugar para livrar-nos da maldição e dar-nos a bênção?”

É fato que Cristo Se fez maldição por nós para que recebêssemos a bênção (Gl 3.13-16); contudo, isso não significa que não haja mais maldição, ou que alguém que nasceu de novo não possa estar debaixo do efeito dela.

Note que Cristo morreu para que nossos pecados não tenham mais domínio sobre nós (Rm 6.14), porém pecados continuam a existir e ainda é possível pecar. O que a obra da cruz determina é que o pecado não precisa mais nos governar – o que também vale para a maldição. Podemos exercer domínio em vez de sermos dominados.

A realidade posicional em Cristo não é de cumprimento automático, tampouco anula a existência de maldição. Uma das provas é que o Novo Testamento ainda fala dela, citando gente que, distintamente de quem frutifica e é abençoado, está perto da maldição (Hb 6.8).

Mesmo ciente de que Deus nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo (Ef 1.3) e que essa é a nossa posição de direito, afirmo que há crentes que jamais chegarão a usufruir plenamente a sua herança.

Por quê? Porque, quando quebram um princípio divino, acionam contra si mesmos uma lei estabelecida na Palavra de Deus. De que princípio tratamos aqui? Do amor! Enquanto não entenderem e praticarem o poderoso princípio do amor, não haverá confissão de fé que lhes garanta viver na plenitude da bênção divina!

Quando não oferecemos a Deus o amor devido, estamos em rebeldia ao Seu primeiro e maior mandamento. Observe o que Paulo afirmou:

    “Se alguém NÃO AMA O SENHOR, seja ANÁTEMA. Maranata!” [grifos do autor] 1 CORÍNTIOS 16.22

O Dicionário Vine apresenta “anátema” como o equivalente grego a palavra cherem, que, no hebraico do Antigo Testamento, significa “consagrado à destruição, amaldiçoado”. Também enfatiza que os exemplos de uso no Novo Testamento apontam sempre para maldição (At 23.14; Rm 9.3; 1Co 12.3; GI 1.8,9).

A definição do termo grego anathema segundo o Léxico de Strong é: “algo preparado ou separado para ser guardado ou dedicado; especificamente, uma oferta resultante de um voto, que depois de ser consagrada a um deus era pendurada nas paredes ou colunas do templo, ou colocada em algum outro lugar visível; algo dedicado a Deus sem a esperança de recebê-lo de volta, referindo-se a um animal doado para ser sacrificado; daí, uma pessoa ou algo destinado à destruição; uma maldição, uma praga; um homem amaldiçoado, destinado à mais terrível das tristezas e angústias”. Em suma, não há como amenizar a interpretação.

Há muitas pessoas nas igrejas que não entendem o porquê de não alcançar aquele lugar de completa realização em Deus. Fazem tudo o que lhes mandam, todo tipo de “campanhas” e “receitas milagrosas”, mas, ainda assim, não conseguem encontrar uma vida plena de bênçãos. A verdade é que uma maldição as mantém cativas à tristeza e à angústia – consequência de um pecado: a falta de amor ao Senhor. Se há um contraste enorme com o primeiro e principal mandamento, logo, é inadmissível na vida de qualquer discípulo de Cristo.

BÊNÇÃO VERSUS MALDIÇÃO

As Escrituras Sagradas mostram claramente que são escolhas que determinam bênção ou maldição sobre nossa vida. Ao conceder livre-arbítrio ao homem, Deus também o conscientizou acerca dos resultados desse direito:

   “ Hoje tomo o céu e a terra por testemunhas contra vocês, que lhes propus a vida e a morte, A BÊNÇÃO E A MALDIÇÃO; ESCOLHAM, pois, A VIDA, para que vivam, vocês e os seus descendentes” [grifos do autor] DEUTERONÔMIO 30.19

A mensagem bíblica é clara. Há dois caminhos: vida e bênção ou morte e maldição. Quem escolhe? O homem, e não Deus! Da parte dEle, há o conselho: “escolham a vida”, porque é o caminho de bênção, é a escolha certa.

Mas como escolher vida e, consequentemente, benção? Optando por obedecer aos mandamentos. Observe o contexto no qual está inserido o conselho divino pela vida:

    “Vejam! Hoje coloco diante de vocês a vida e o bem, a morte e o mal. Se guardarem o mandamento que hoje lhes ordeno, que amem o SENHOR, seu Deus, andem nos seus caminhos e guardem os seus mandamentos, os seus estatutos e os seus juízos, então vocês verão e se multiplicarão, e o SENHOR, seu Deus, os abençoará na terra em que estão entrando para dela tomar posse. Mas, se o coração de vocês se desviar, e não quiserem ouvir, mas forem seduzidos, se inclinarem diante de outros deuses e os servirem, então hoje lhes declaro que, certamente, perecerão; não permanecerão muito tempo na terra na qual, passando o Jordão, vocês vão entrar para dela tomar posse. Hoje tomo o céu e a terra por testemunhas contra vocês, que lhes propus A VIDA E A MORTE, A BÊNÇÃO E A MALDIÇÃO; escolham pois, a vida, para que vivam, vocês e os seus descendentes, amando o SENHOR, seu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-se a ele; pois disto depende a vida e a longevidade de vocês. Escolham a vida, para que habitem na terra que o SENHOR, sob juramento, prometeu dar aos pais de vocês, a Abraão, Isaque e Jacó”. [grifos do autor] DEUTERONÔMIO 30.15-20

A obediência produz bênção, e a desobediência produz maldição. Um pouco antes, Deus já havia dito:

    “SE VOCÊS OUVIREM ATENTAMENTE A VOZ DO SENHOR, seu Deus, tendo o cuidado de guardar todos os seus mandamentos que hoje lhes ordeno, o SENHOR, seu Deus, exaltará vocês sobre todas as nações da terra. Se ouvirem a voz do SENHOR, seu Deus, sobre vocês virão e OS ALCANÇARÃO TODAS ESTAS BÊNÇÃOS” [grifos do autor] DEUTERONÔMIO 28.1,2

Todas as bênçãos citadas no capítulo 28 seguiriam o povo de Deus caso houvesse disposição de andar sob os mandamentos do Senhor. Contudo, se decidissem não obedecer, então seriam perseguidos por maldições:

    “Porém, SE NÃO DEREM OUVIDOS À VOZ DO SENHOR, seu Deus, deixando de cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos que hoje lhes ordeno, então virão sobre vocês e OS ALCANÇARÃO TODAS ESTAS MALDIÇÕES.” [grifos do autor] DEUTERONÔMIO 28.15

A bênção é uma intervenção divina que nos leva a experimentar coisas melhores, que estão além do que conseguimos com nossa própria capacidade. Pense em sua vida como uma lavoura. Há um potencial de produção que é natural, consequência de lavrá-la com os recursos naturais disponíveis. Com a bênção divina, é possível obter resultados muito melhores, que desafiam o plano natural. Por outro lado, a maldição é um juízo divino que permite a ação maligna, ou seja, seguindo a mesma analogia, a lavoura fica muito mais sujeita a perdas e prejuízos.

Uma vez estabelecido o fundamento de que a escolha do homem pela obediência leva à bênção e, pela desobediência, à maldição, olhemos mais uma vez para o princípio de amar ao Senhor. Como mandamento da Palavra de Deus – primeiro e principal -, é correto constatar que desobedecer-lhe implica maldição. Como bem disse Paulo, quem não ama ao Senhor, “seja anátema”.

Vivemos dias de uma grande colheita espiritual, em que milhares se convertem ao Senhor. Além de novas igrejas plantadas em número impressionante, as já estabelecidas crescem cada vez mais. Satanás já não pode mais deter o crescimento da Igreja. Assim sendo, ele procura diluir nossa força em Deus corrompendo-nos em práticas importantes – principal na questão do amor ao Senhor. Assim, ele pode manter-nos sob maldição.

As igrejas estão cheias de pessoas que apenas correm atrás de uma bênção, mas não cultivam amor ao Senhor em seu coração. São aquelas que aceitam facilmente o conselho da mulher de Jó de amaldiçoar a Deus e morrer (Jó 2.9) assim que percebem que não foram abençoadas ou atendidas em suas demandas.

Tanto o grande avivamento que esperamos como as tremendas bênçãos decorrentes dele dependem de uma nova atitude da Igreja com relação à forma de buscar ao Senhor

*Texto extraído do livro “De Todo o Coração”

Luciano Subirá é o responsável pelo Orvalho.Com – um ministério de ensino bíblico ao Corpo de Cristo. Também é pastor da Comunidade Alcance em Curitiba/PR. Casado com Kelly, é pai de dois filhos: Israel e Lissa.

*O conteúdo do texto acima é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Circunstâncias que ensinam

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