O “escudo” de Davi e seu significado

 (Foto: Sean Gallup/Getty)

(Foto: Sean Gallup/Getty)

Publicado em Segunda-feira, 23 Março de 2020 as 3:48

Nossa ajuda e nosso escudo

Por incrível que pareça, o uso da estrela de seis pontas como símbolo judaico tem apenas algumas centenas de anos. Para complicar ainda mais, em Hebraico a estrela não é chamada de “Estrela de Davi” e sim “magen david” מַגֵּן דָּוִד – o “Escudo de David”. Por que essa diferença é importante?

A palavra Hebraica para escudo, magen, significa literalmente uma cobertura de proteção. Em Gênesis 15, Deus faz um pacto com Abraão dizendo: “Não tenha medo Abraão, eu sou seu escudo (magen)”. Nos Salmos, encontramos outro uso da palavra relacionado com Deus feito pelo próprio David, repetindo várias vezes que apenas D-us é “nossa ajuda e nosso escudo” (magen), quem nos oferece segurança de verdade. Portanto, a “Estrela de David” é na verdade um símbolo da proteção Divina. A verdadeira força do Escudo de David só pode ser entendida no idioma Hebraico original. O idioma Hebraico explica e revela os verdadeiros significados dos símbolos, das festas e das tradições judaicas.

Vejamos de onde vem esta raiz

O verbo גנן (ganan) significa “cercar ou defender” (Zacarias 9:15, II Reis 19:34). O verbo ocorre cerca de oito vezes na Bíblia, mas seus derivados 120 vezes. De acordo com o dicionário, a ideia básica do verbo é “encobrir e, portanto, proteger do perigo”, e é usada apenas para descrever a proteção recebida de D-us. O mais cativante é que Isaías expressa isso quando ele diz a Ezequias que D-us protegeria Jerusalém como uma galinha e seus filhotes: “Como as aves voam, assim o IHVH dos Exércitos amparará a Jerusalém: ele a amparará e a livrará, e, passando, a salvará” (Is 31: 5).

As derivadas deste verbo são:

O substantivo masculino גן (gan), que significa “jardim”. Um jardim nos tempos bíblicos era visto como um terreno separado do mundo exterior, mas também um local de refúgio do calor do dia. O jardim serve figurativamente como uma mulher que protege suas virtudes (Cântico de Salomão 4:12) ou como um símbolo da posteridade nacional (Amós 9:14). O mais famoso de todos os jardins é, é claro, o jardim do Éden (Gênesis 2:15).

O substantivo feminino גנה (ganna), que é a versão feminina do substantivo anterior, também significa “jardim” (Jó 8:16, Isaías 1:30).

O substantivo masculino e feminino מגן (magen), que significa “escudo ou proteção” semelhante (Gênesis 15:1, Salmo 89:18).

O verbo מגן (magan), formado a partir do substantivo anterior e geralmente é traduzido como “entregar”. É usado quatro vezes: Gênesis 14:20, Provérbios 4: 9, Isaías 64: 6 e Oséias 11: 8.

O substantivo feminino מגנה (meginna). Este substantivo ocorre apenas uma vez, em Lamentações 3:65, na expressão “ânsia de coração”. BDB Theological Dictionary traduz este substantivo com “cobertura”. O Livro de Palavras Teológico HAW do Antigo Testamento traduz o mesmo no cabeçalho do artigo, mas insiste no corpo que significa “tristeza; tristeza do coração”; “uma figura de obstinação ou cegueira do coração“.

Então o que significa o “escudo de David” (também conhecida como “Estrela de David”?)

Em primeiro lugar vamos perceber que a palavra “magen” denota a proteção do Eterno com a figura de um “escudo”. Quando o Todo-Poderoso fala com Avraham sobre isso Ele está lhe dizendo que assim como um guerreiro protege a si mesmo e aos seus companheiros durante a batalha, o Eterno fará o mesmo com aqueles a quem Ele ama!

A transposição da raiz para “gan” – jardim – é fascinante, pois o Jardim do Éden nada mais é do que o lugar onde estão os “protegidos” do Eterno desfrutando de parte de seu prêmio – a vida eterna – até que os demais sejam para lá levados e então começará uma nova etapa na história da humanidade. O gan Éden não era somente o lugar para Adan desfrutar da sua beleza, mas era também o lugar onde o Eterno aparecia para conversar com ele. Então, um dos propósitos da “proteção” divina sobre nós é levar-nos a um patamar de segurança e intimidade com os céus; ali sob a proteção do Eterno podemos então falar com Ele em segurança!

Nós podemos afirmar que somos privilegiados por termos ao nosso redor uma “cerda de defesa” e o Adversário não pode ultrapassá-la para tocar em nossas vidas sem a permissão dos céus. Isso foi dito acerca de Jó: “Porventura não o cercaste tu de bens a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste e o seu gado está aumentado na terra” Jó 1.10. Esta é uma prerrogativa somente daqueles que vivem uma vida conectada com o Eterno através de Ieshua. A proteção é essencial quando estamos vivenciando um ambiente de hostilidade – principalmente durante a guerra.

Sabemos que estamos em guerra e isso está acontecendo a nível espiritual; nossa batalha acontece num contexto invisível e não somos capazes de nos defendermos sozinhos! Por isso temos a necessidade de que o Guarda de Israel nos proteja e nos guarde a cada dia! “Não deixará vacilar o teu pé: aquele que te guarda não tosquenejará. Eis que não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel. O IHVH é quem te guarda: o IHVH é a tua sombra à tua direita” Sl 121.3-5.

E a Estrela de Davi?

A “Estrela da Davi” – também conhecida como “Magen David” tem diversos significados, mas o que desejo destacar aqui é a sua conotação num nível mais elevado: a proteção do Messias sobre nós.

Então – poderemos nos perguntar – qual é a relação da Magen Davi com o Messias? A relação é estreita, profética e une o passado, presente e futuro.

O início desta relação nos mostra que a Estrela de David – segundo a tradição judaica – estava presente nos escudos dos valentes de Davi em suas batalhas. A relação com a “defesa” é nítida aqui e quando tomamos a palavra “David” em hebraico temos a somada das letras que nos dá o resultado de 14.

Então vamos até a genealogia de Ieshua em Mateus 1.17: “De maneira que todas as gerações, desde Abraão até David, são catorze gerações; e, desde David até a deportação para a Babilônia, catorze gerações; e, desde a deportação para a Babilônia até o Ungido, catorze gerações”. Vemos que na genealogia de Ieshua temos a conexão feita com a aparição do “14” três vezes. Isso liga Ieshua a Davi mas também mostra o cuidado do Eterno – sua proteção ao seu povo – para que essa conexão pudesse acontecer. A conexão começa no Gan Eden com Adan e chega a Ieshua. Essa conexão fica clara na genealogia de Lucas onde começa com Ieshua e termina com o Eterno e isso está expresso em Lc 3.23-38.

Ieshua foi chamado de “Ben David”, ou seja, o descendente de Davi teria a função de estabelecer o Reino prometido ao seu antecessor e também proteger o seu povo contra os inimigos. Isso ocorrerá na batalha do fim dos tempos quando Ieshua se manifestar como “Ben David” – Filho de David – e esmagar os inimigos de Israel, levando assim a nação a entrar no milênio cumprindo as profecias concernentes a essa época!

Então, quando olhamos para uma “Estrela de David” o que devemos ver? Não somente um símbolo que nos conecta a Israel, mas também um sinal de que a pessoa que a carrega estará dizendo que se conecta às 12 tribos de Israel e também que ela crê na vida do Rei Messias como Ben David que virá para reinar em Jerusalém conforme a promessa do Eterno: “Também confirmarei o trono do teu reino, conforme o concerto que fiz com Davi, teu pai, dizendo: Não te faltará varão que domine em Israel” II Cr 7.18.

Conclusão:

A proteção do Eterno é vista em todo o mundo na vida daqueles que o servem como também através de símbolos que quando vistos e entendidos em sua plenitude demonstram que aquela pessoa não somente é temente aos céus como também aguarda pela Redenção final que virá com a Vinda de Ieshua, agora como Ben David, o Messias Guerreiro! Que possamos trabalhar para que este dia venha logo e possamos desfrutar da plenitude da Redenção em Ieshua!

Baruch há Shem!

Por Rav. Mário Moreno, fundador e líder do Ministério Profético Shema Israel e da Congregação Judaico Messiânica Shema Israel na cidade de Votorantim. Escritor, autor de diversas obras, tradutor da Brit Hadasha – Novo Testamento e conferencista atuando na área de Restauração da Noiva.

*O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Purim e as trevas

Deixe um comentário