“Ninguém nasce mulher, torna-se"

(Foto: Pixabay)

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Publicado em Sexta-feira, 15 Fevereiro de 2019 as 11:08

O Ministro Celso de Mello usurpou sua competência citando Simone de Beauvoir sem entender o real sentido da frase.

"Ninguém nasce mulher, torna-se. Fiquei confusa com o que estava sendo julgado se era mulherfobia ou homofobia? Se o ministro não sabe a diferença como pode querer julgar algo que não compreende? Ou foi proposital a confusão para gerar uma alienação em torno do tema, ou será desconhecimento mesmo?

Quando a feminista Simone de Beauvoir disse essa a frase em seu livro “O segundo sexo”, que inclusive completa 60 anos, foi exclusivamente para inspirar mulheres a lutar pelo seu direito de ser respeitada na sociedade e na cultura. Há 60 anos realmente a mulher tinha muito a conquistar.

Embora a feminista não fosse um exemplo de moralidade para nós conservadores, ela lutou pelo direito da mulher biológica, o que ela discutia era liberdade sexual, papéis sociais e culturais que, em sua opinião, eram opressores; ela discutia o fato de o homem socialmente  ser aceito como um “ser superior” na época sendo a mulher o “Segundo sexo”, nome que  Beauvoir deu ao seu livro nos anos 1940, que foi reeditado nos anos 1970.

O que o senhor Celso de Mello desconhece, e o ativismo atual tenta erroneamente manipular e esconder, é que esse pensamento, essa frase, em nenhum momento negava o sexo e a biologia da mulher, ela não dissociava um do outro, falava em GÊNERO BINÁRIO, e não em GÊNERO NÃO-BINÁRIO, pois esse termo é posterior a ela.

A discussão era  essencialmente da mulher, sua feminilidade, papéis, respeito, equidade, empoderamento.

Discutia-se os direitos das mulheres e como a cultura constrói papéis que muitas vezes oprime a mulher. Ela dizia que ser mulher era uma construção social e cultural, mas não a dissociou da sua biologia e do seu sexo.

Quando dizia que mulher não era só uma biologia, era no sentido figurado.

Simone era ativista, participava de movimentos em prol dos direitos da mulher BIOLÓGICA independente de sua orientação sexual, lutava pela liberdade sexual, e de papéis, que mulheres podiam realizar as mesmas coisas que os homens com igualdade de direitos.

Tenho muitas diferenças e muitas críticas a fazer sobre esta mulher, mas tenho que desmascarar essas mentiras contadas. Ela jamais citou gênero não-binário, mesmo porque este rótulo foi e é muito utilizado posteriormente, como já falamos, por Judith Butler e não por Beauvoir.

Os movimentos LGBTTS se apropriaram indevidamente da frase para construir a sua ideologia de gênero (diversidade de Gênero) atribuindo um outro significado, tirando a luta da mulher e transformando-a em apenas um gênero independente do sexo de nascimento, sua biologia, genética e sua mais de 1.500 diferenças catalogadas em artigos científicos são ignoradas. Muito irresponsável ministros discursarem sobre algo de forma rasa, com discursos decorados que mais parecem da militância.

Um fator importante desconsiderado é a ciência.

A promoção desse pensamento da ideologia do gênero não-binário (diversidade de gênero) está causando DISFORIA DE GÊNERO, um transtorno de identidade de gênero que por mais que ativistas das áreas sociais por militância tentem defender sua naturalidade usando discursos vitimistas, a medicina, que é a verdadeira ciência neste caso, questiona.

A pediatria americana, o Conselho de Medicina de São Paulo e vários especialistas no mundo, bem como institutos que trabalham com comitês de gênero, têm feito alertas constantes para o perigo de tratar a puberdade como uma doença nesta promoção da transgenia. Com essa ADO26 aprovada, vamos promover, além da mordaça, da perda da liberdade religiosa e de expressão, um grande gerador de conflitos psicológicos, uma confusão científica e social, condenando crianças a disforia de gênero, a negação do tratamento ou a uma confusão de gênero sem chance de receber ajuda.

A aprovação desta lei da mordaça vai promover perseguição religiosa, profissional e limitar a pesquisa e a ciência, além de diminuir a mulher a um gênero, equiparando ela a um homem biológico, tirando dela todos os direitos conquistados. O STF não tem esse direito.

Temos que aprender e ensinar o respeito ao diferente, mas sem invencionices, sem ativismo ideológico de gênero e é isso que o STF está fazendo.

Por Marisa Lobo - Psicóloga, especialista em Direitos Humanos e autora de livros, como "Por que as pessoas Mentem?", "A Ideologia de Gênero na Educação" e "Famílias em Perigo".

*O conteúdo do texto acima é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

 

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