Carta a Tiatira mostra o envolvimento da igreja com o poder político

(Foto: Reprodução/Facebook)

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Publicado em Quarta-feira, 8 Maio de 2019 as 5:40

Estas cartas revelam o Cristo Glorificado, mas também desnudam a Igreja, mostrando a verdade nua e crua a seu respeito. Vemos aqui, os bons e os maus momentos da cristandade; seus amores e desamores, suas lutas e suas obras.

O destinatário

A cidade aqui mencionada possui certas características que vale a pena mencionar: A estrada que liga Pérgamo a Tiatira é uma das mais lindas do mundo. Nesta cidade proliferavam os templos pagãos e havia um magnífico templo a Diana.

Tiatira significa sacrifício contínuo, ideia que foi introduzida, furtivamente, na celebração da missa. Sabemos, no entanto, que o sacrifício de Jesus aconteceu uma vez por todas. Há, portanto, um desvirtuamento doutrinário que foi introduzido ao culto cristão.

 Havia pouca coisa boa a ser realçada na vida desta Igreja. “As tuas últimas obras são mais numerosas que as primeiras (v.19). Estas "boas obras", que pareciam estar na moda, funcionavam como um pretexto capaz de introduzir o abandono progressivo da salvação pela fé.

Algumas religiões não atrairiam tanto se abrissem suas reais intenções de estender seus domínios e influência política. A faixada de benevolência, esconde sua realidade espiritual. Este tipo de religião tem sua ênfase na salvação pelas obras; "últimas obras mais numerosas".  Não sou salvo pelas minhas obras, mas pela obra de Jesus consumada na cruz. Caso assim não fosse, eu seria o meu próprio salvador.

A repreensão feita pelo Senhor da Igreja

A Igreja introduziu um conceito, que exigia um rápido aprendizado com Jezabel. “Mas tenho contra ti, que toleras a Jezabel, mulher que se diz profetiza. Com o seu ensino ele engana a meus servos, seduzindo-os a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas aos ídolos” (Ap.2.20).

 A história nos mostra que Jezabel protegeu os profetas de Baal e perseguiu os verdadeiros profetas. Ela fez uma tentativa de colocar Deus e o Diabo dentro do mesmo caldeirão. Construiu um pequeno exército de falsos profetas, cuja finalidade era incentivar o culto a ela mesma. Reivindicava revelação divina sobre o oculto e tornou-se propulsora do adultério espiritual.

A Igreja casada com Cristo flertou com o Ocultismo. Os templos pagãos, foram transformados em Igrejas na época e os ídolos receberam nomes cristãos, mas as figuras e a ideia que estava por detrás destes ídolos foram adiante. Maria passou a ser considerada como Rainha do Céu, assim como Semíramis, Astarte, Vênus e outros.

A idolatria geralmente está ligada à prostituição. Aparecida do Norte, por exemplo, tem uma das redes de prostituição mais bem montadas do mundo. Infelizmente a Igreja tem sido guardiã de muitos acontecimentos indignos.

Havia em Tiatira, os que conheciam as profundezas de Satanás. Mas eu vos digo a vós, e aos restantes que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conheceram, como dizem, as profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei (Apocalipse 2:24). Obviamente o conhecimento profundo de Satanás não deve ser o nosso alvo maior. Queremos conhecer a Cristo.

Este conhecimento era cobiçado no meio cristão, pois supostamente conferia poderes especiais. Uma verdadeira mistura de cristianismo e misticismo que ferviam no mesmo caldeirão, numa receita que não dá ponto.

 A versão moderna deste sincretismo religioso é a Nova Era. Mais adiante iremos estudar mais detidamente este movimento. Veja algumas reações de lideranças cristãs:

 O Concilio Mundial de Igrejas reconhece oficialmente que as religiões não cristãs possuem vida espiritual e o atual Papa considera salvo todo aquele que é fiel seguidor de qualquer outra religião.

  - Madre Teresa de Calcutá disse que converter-se significa tornar-se melhor hindu, melhor budista, melhor judeu e melhor cristão.   

A Igreja tomou o lugar de quem lhe deu o nome. A si mesma se chama de profetiza (v.20). O homem assim, toma o lugar do Espírito Santo; diz ser o único representante de Cristo e se autodenomina vigário de Cristo. Foi assim que começou o dogma da infalibilidade papal. O único que interpreta de forma infalível a Palavra de Deus. 

Os católicos não estão sozinhos nisto. Os evangélicos já convivem tempo suficiente com o clericalismo protestante, acreditando que os teólogos são o último reduto da sã doutrina e da hermenêutica bíblica. Saiba, meu querido leitor, que os conceitos teológicos mais devastadores não nasceram no meio do povo ignorante, mas entre os sábios e eruditos. Entre estes estão teólogos contemporâneos como Kirkegard, Bultman, Boff e Bart. Não esqueça de que alguns dos que alcançaram o título de doutores da lei, pediram a crucificação de Jesus. Alguns dos que alguns dos que alcançaram títulos modernos equivalentes negam a divindade de Cristo. Teólogos, ditos cristãos, tentam aplicar suas mordaças ao rugido do verdadeiro Leão de Judá. Some ainda a este número alguns líderes que se comparam a um Messias, se consideram a voz de Deus para a Igreja e exigem um tipo de submissão devida somente a Cristo.

O remetente

Jesus se apresenta de duas maneiras diferentes:

O que tem os olhos como chama de fogo. Note que esta forma de ver a Jesus já apareceu no primeiro capítulo de Apocalipse. Ele tem o discernimento absoluto e total, é impossível enganá-lo. Seu olhar é penetrante e perscrutador. Olhos penetrantes que queimam toda escuridão interior dos homens sem Deus.

 É o que tem os pés de bronze polido. Mais uma figura do capítulo primeiro é invocada aqui. O discernimento total do mal acarretará num julgamento total. Tudo será pisado por Ele e tudo o que não o agrada será amassado até a destruição total. Seus pés de bronze serão pesados para todos aqueles que resistirem ao seu conhecimento.

 A liderança da Igreja terá que submeter-se ao exame do Senhor e caso seja encontrado algum mal, receberá julgamento do Senhor. Os últimos dias virão sobre o nosso mundo quando finalmente não haverá sobre a Igreja, autoridades que de algum modo furtem nossa atenção da pessoa de Cristo. Deus não divide sua glória com ninguém.

 “Então virá o fim, quando tiver entregado o Reino a Deus, ao Pai, e quando houver destruído todo domínio, e toda autoridade e todo o poder. Pois convém que Ele reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés” (Ap 15.24,25).

Por Ubirajara Crespo, pastor, conferencista, editor, autor das notas de rodapé da Bíblia do Guerreiro e dos livros “Qual o limite para o sofrimento” e “Rota de colisão”.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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