Igreja desprevenida é capturada de surpresa

(Foto: Tim Marshall/Unsplash)

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Publicado em Quarta-feira, 12 Junho de 2019 as 9:57

As cartas de Jesus para as sete Igrejas da Ásia afetam muito mais do que nossos sentimentos. São um toque de alerta, pois mostram uma Igreja animada, fiel e pujante caindo nas garras do destruidor. A animação não garante a fidelidade comunitária, nem a aprovação eterna da Igreja local.

Onde houver fidelidade, haverá, também, forte oposição. O excesso de confiança, o ativismo eclesiástico deslumbrante e o exercício aeróbico do louvor, sem a contemplação do caráter do Noivo da Igreja, podem nos levar à ruína. É isto que ocorreu com a maioria das cidades reprovadas nas cartas escritas para as igrejas asiáticas.

A Igreja de hoje é pujante, influente e massiva, mas rasa. A abordagem do mal é intensa e parece que estamos caindo nesta conversa. Constrói-se um formato religioso capaz de enganar até os escolhidos. Fiz aqui, um breve relato dos itens, que compõem esta arapuca religiosa. Veja onde você está.

Deus não é apenas o inspirador das Escrituras, ele é o preservado da sua própria mensagem. Como tal, ele continua cuidando para que a sua essência não sofra nenhum corte ou acréscimo significativo.

Era com muito temor e tremor, que os copistas faziam seu trabalho. Estavam conscientes de que Deus não deixaria de puni-los caso cometessem erros significativos. A técnica usada para a preservação das Escrituras era rigorosa e feita com temor e tremor. As letras que circulavam pelas mãos dos copistas eram consideradas sagradas. Isso os levava até a contarem estas letras, palavras e linhas, para depois compará-las com o texto original. Todo o processo passava por um minucioso controle de qualidade. Houve erros, sim, mas estes textos costumavam ser descartados do processo. Muitos dos manuscritos descartados não foram destruídos e, possivelmente, foram utilizados com a finalidade de desvalorizar o texto que temos hoje.

A preservação do texto atual é um verdadeiro milagre. A arqueologia, ciência muitas vezes usadas para a destruição da fé, hoje conta pontos a nosso favor. Continue crendo. Nem poderia ser diferente, pois se Deus pretendia se comunicar com o ser humano, de todas as épocas, trataria de manter a sua mensagem preservada. O Pai comunicou a sua vontade para o homem de perto, de ontem, de hoje e de amanhã.

Seria melhor, que as publicações envolvendo a crítica textual colaborassem com a construção da fé e não com a sua destruição. Creio mesmo, que devemos vigiar sobre as sugestões implícitas e explícitas que apontem nesta direção. O grupo da Teologia Contemporânea não é o lugar mais adequado para colhermos informações que desvalorizem as Escrituras. Somos apologetas, ou seja, defensores da fé e não seus cirurgiões exploradores nem fagocitadores e extirpadores de textos. Melhor decidir logo de que lado estamos.

Dica Hermenêutica: A Teologia existencialista de Kirkegard sustenta a ideia de que a Bíblia contém a Palavra de Deus. Esta opinião pressupõe que nem todos os textos existentes hoje, expressam o texto original inspirado por Deus. Segundo eles, o texto que temos em mãos está pontilhado da opinião dos copistas, que estes fizeram acréscimos e/ou supressões. Esta escola teológica não oferece uma regra infalível, que nos ajude a saber, com segurança, o que é e o que não é Palavra de Deus. O critério mais utilizado para estabelecer esta condição é a subjetividade e não uma leitura objetiva ou literal. Neste caso o leitor pode se deixar levar por tendências teológicas denominacionais, culturais e escolásticas.

O efeito colateral mais perigoso deste modo de ler é forçar o entendimento do texto e a tentativa de justificar algum comportamento incompatível com as exigências bíblicas. Os critérios para usar a literalidade ou a subjetividade na leitura do texto não são claros. Mais se parecem com o resultado de um jogo de palitinho ou disputa de par ou ímpar. Se der par, devo interpretar literalmente, se for ímpar apelo para a subjetividade. Esta escola tende a ser influenciada pela sua tendência teológica pré-concebida. Se a interpretação normal combinar com a escola na qual professo crer, vamos em frente caso contrário apelo para os valores numéricos das letras, para relativismo, para o impacto íntimo causado pelas palavras ou dando às palavras um valor alegórico.

São subjetivistas é entenda este modo de pensar como algo influenciado pelo modo como o texto é absorvido. Sinta a maneira como suas ideias batem no estômago: arranhando, suavemente, gotejando ou em enxurradas poéticas. A hermenêutica subjetiva tem preferência pelas interpretações que descem redondas para o leitor da Bíblia.

Salmo 78.2-4. Em parábolas abrirei a minha boca, proferirei enigmas do passado. O que ouvimos e aprendemos, o que os pais nos contaram, não o ocultaremos aos filhos; transmitiremos à geração vindoura as gloriosas realizações do SENHOR, seu poder e as maravilhas dos seus feitos.

Deuteronômio 6:6,7. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.

Esta transmissão de textos deixou um legado precioso: para a nossa história, nossa procedência e nosso propósito. Não existe um depósito mais seguro para guardar o passado, do que a família. Este costume existente nos primórdios da humanidade era considerado vital. Isto se enraizou na vida da nação israelita e não se admitia acréscimos, cortes, mudanças, arranjos. O erro do copista era considerado um pecado gravíssimo, acompanhado pela expectativa de graves retaliações. Isto garantia a fidelidade e originalidade dos relatos bíblicos compilados da tradição oral.

Os pais que transmitiram aos seus filhos os acontecimentos narrados na Bíblia, não são o mesmo tipo de homem de hoje. A imoralidade foi reforçada por erros formulados pelo malabarismo criativo de nossos pais. Foram adaptadas as influências culturais acumuladas em inúmeras gerações e nos capacitou a transmitir nossas histórias, conforme nos convém. Precisamos admitir, que o homem de hoje não é um ser confiável como um instrumento capaz de preservar a histórica humana. Talvez por isso precisamos tanto da tecnologia, que digita, imprime, fotografa, filma e guarda em sistemas computadorizados à salvo do ser humano.

Segundo a Bíblia, o homem primitivo, vivia cerca de 900 anos ou mais e foram protagonistas ou testemunhas oculares de acontecimentos como a queda do homem, a travessia do Mar Vermelho e do dilúvio, entre outros. Devido a sua longevidade, Adão conheceu Matusalém, que conheceu Noé e este chegou perto de conhecer Abraão. Foi a idade e não o dilúvio que os separou. Abraão deve ter conhecido os filhos e netos de Noé. As histórias eram contadas pelos seus protagonistas e repassadas por testemunhas oculares a muitas gerações que os sucederam.

A morte e o desgaste moral progressivos dos humanos foram previstos pela própria narrativa da sua queda. O livro de Gênesis diz que a desobediência ao único mandamento imposto, enquanto estavam no Éden, desencadearia, lenta e progressivamente, o processo da dissolução. Não se passaram muitas gerações entre a queda e o nascimento destes preservadores da história. Consequentemente, a sua engenharia genética não possuía o mesmo volume de informações, que possuímos depois de milhares e milhares de anos de história. Força, resistência, inteligência, defesa imunológica, capacidade de armazenar informações e a memória, possuíam grande capacidade. Teoria, que uma vez comprovada, aumenta exponencialmente a possibilidade de a transmissão oral ter sido uma narrativa exata do que realmente aconteceu.

Para sermos absolutamente bíblicos devemos insistir em reconhecer, que o homem não evoluiu, mas regrediu física, mental e moralmente. A influência da história genética outorgada por gerações passadas é uma realidade. O ser humano de hoje vive menos, é portador de um número crescente de novas doenças. Embora tenha sua expectativa de vida aumentada, o processo de desgaste ainda não foi revertido pela ciência. Provavelmente nunca o será, pois não disporá de tempo suficiente para realizar esta proeza. Estamos nos aproximando do fim e a própria natureza geme e suporta angústias até agora, por causa da queda do homem.

Este processo de desgaste da nossa humanidade só pode ser revertido em Jesus. Ele nos faz nascer de novo e nos torna descendentes do segundo Adão: Jesus Cristo. Esta nova genética moral, espiritual e comportamental desencadeia um processo que fará com que uma nova natureza se desenvolva em quem nasceu do Espírito e não apenas da carne. Processo este, que culminará com a ressurreição dos cristãos e o arrebatamento do corpo transformado. Esta é a grande e única esperança para o ser humano de hoje.

Por Ubirajara Crespo, pastor, conferencista, editor, autor das notas de rodapé da Bíblia do Guerreiro e dos livros “Qual o limite para o sofrimento” e “Rota de colisão”.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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