A igreja não é tão invulnerável quanto parece

(Foto: Aaron Burden/Unsplash)

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Publicado em Quinta-feira, 31 Janeiro de 2019 as 5:03

Os três primeiros capítulos de Apocalipse mostram a história passada da Igreja. A partir do capítulo 4, o Apocalipse viaja para o futuro. Vai longe, mas antes mostra que o Pináculo do Templo (púlpito) pode se transformar no local mais perigoso e sedutor da estrutura religiosa.

Foi neste lugar, que ele sugeriu ao nosso Senhor, que usasse seus poderes para se promover.

INFILTRAÇÃO DO MAL EM ÉFESO.

“Ao anjo da igreja em Éfeso escreve: Estas coisas diz aquele que conserva na mão direita as sete estrelas e que anda no meio dos sete candeeiros de ouro: Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos;” Apocalipse 2:1-2.

A capacidade de anular os efeitos da infiltração maligna atingiu um alto nível na Igreja de Éfeso, mas decaiu rapidamente. Aquela Igreja conseguiu detectar e repelir os que se passavam por apóstolos, mas não eram, porém, apenas no seu início.

Havia sorrisos, dentes brancos, abraços plásticos, cara amigável e um falso zelo pela doutrina. Para ser bem direto eu diria que, esconderam corações mal intencionados atrás de práticas religiosas.

A grande a preocupação de alguns, que professam um voto religioso é desenhar em seu rosto um sorriso capaz de esconder a dores e intenções instaladas no seu coração. Muita escova e pasta para usar em dentadura postiça.

Era exatamente por causa deste tipo de dramatização, que Jesus condenou a hipocrisia dos fariseus e os comparou a um tipo de fermento, que infla, mas não trás conteúdo à massa. E você, onde se encaixa neste script?

- enganador (   )

- enganado (   )

- detetor (   )

“Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras.” Apocalipse 2:4

Como separar o engano do verdadeiro se a liturgia, a Bíblia e os seus trejeitos religiosos são muito parecidos com os nossos?

Que tal avaliar o conteúdo sem se deixar impressionar com os enfeites? A megaigreja não levanta a saia, pois quer esconder sua intimidade, mas procura atrair nossa atenção com o colorido das suas roupas, a plástica de suas apresentações e o seu desempenho no palco. Não gosta de ter gente nos camarotes e fecha as portas de acesso aos bastidores. Convivência e proximidade não são muito bem-vindas.

Fuçar para descobrir rachaduras no sistema é um procedimento válido se o objetivo for tapar a brecha e preparar o povo para retornar ao princípio. Já vi muita novidade e até me envolvi com algumas delas, mas cheguei à conclusão de que a solução não está no novo, mas no antigo, na volta ao início.

A Igreja precisa redescobrir os princípios eternos que a caracterizaram. Podemos contextualizar apenas a forma, a moldura, o ritmo e as cores, mas sem rasgar o script.

Chegou o momento de engatar a ré e não de ir na direção para onde o nosso nariz aponta. Triste faro o nosso, dificilmente acerta a pontaria. Já vivemos o suficiente para saber que não deveríamos cair novamente nos mesmos erros de sempre.

A própria História da Igreja mostra que não podemos nos deixar guiar pelo “Faro Falho” de nossas intuições. O Filé Miau com cheiro de picanha faz fumaça em todas as esquinas e botecos das cidades. Aquele aroma chega dar um frisson nas lombrigas, mas lembre-se de que é somente aroma, e não passa de carne podre de gato. Tudo está escrito e documentado na Palavra, basta ler, obedecer e tapar os ouvidos para o canto das sereias.

Por Ubirajara Crespo, pastor, conferencista, editor e autor dos livros “Qual o limite para o sofrimento” e “Rota de colisão”.

* O conteúdo do texto acima é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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