Os verdadeiros apóstolos vão e os falsos ficam

Imagem extraída do filme Paulo, o apóstolo de Cristo. (Foto: Reprodução/Sony Pictures)

Imagem extraída do filme Paulo, o apóstolo de Cristo. (Foto: Reprodução/Sony Pictures)

Publicado em Quarta-feira, 10 Abril de 2019 as 5:27

Apocalipse 2: 2 - “Sei de tudo que você faz. Vi seu trabalho árduo e sua perseverança, e sei que não tolera os perversos. Examinou as pretensões dos que se dizem apóstolos, mas não são, e descobriu que são mentirosos".

O número de Apóstolos autorizados a participar de um esquema especial no Céu está estabelecido. Veja se você é um deles.

Mateus 10:2. Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, também chamado Pedro, depois André, irmão de Pedro, Tiago, filho de Zebedeu, João, irmão de Tiago.

Leve em conta, que os mais renomados estudiosos das Escrituras afirmam que os 24 anciãos de Apocalipse são os 12 patriarcas e os 12 apóstolos, representando os maiores ícones de fé do Antigo e do Novo Testamento.

Depois que surgiu a atual casta apostólica, esta posição passou a ser defendida animadamente, pelo grupo. Pode ser desconhecimento da Palavra, mas também parece mais uma gambiarra hermenêutica. Os falsos apóstolos sabem manipular, ardilosamente, os textos, fazendo com que pareçam serem enviados pelo próprios Deus. Os 12 não foram convidados pelo Deus encarnado (Jesus) e nem pela Igreja, pois esta ainda Não existia.

O texto a seguir parece mostrar que o número de patriarcas e apóstolos permanecerá imutável até a Volta de Cristo e que todas as vagas foram preenchidas.

Apocalipse 11:15. O sétimo anjo tocou sua trombeta, e fortes vozes gritaram no céu: “O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e de seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre”. Os 24 anciãos que estavam sentados em seus tronos diante de Deus se prostraram com o rosto em terra e o adoraram.

Por ser um título concedido em um momento que precedeu a inauguração da Igreja, podiam ser considerados um grupo especial e único, cuja preparação foi feita pelo próprio Jesus em pessoa. Deus continua chamando pessoas para expandir seus Reino na Terra, mas não chama ninguém para ocupar o primeiro lugar da fila, mas o último.

Os apóstolos eram pessoas dotadas com a capacidade de expandir a influência da Igreja pelo mundo. Noção apoiada pela própria semântica da palavra grega απόστολος (αποστέλλω, forma verbal). Significa enviado, enviar e jamais se fixar.

Esta palavra (apóstolo) não descreve alguém preso a um escritório fixo para compor e orquestrar músicas administrativas. Ninguém pode afirmar que, este tipo de serviço, deve ser deixado de lado. A Igreja ainda não completou o número de seus componentes. Quando isto ocorrer, ela será arrebatada. O dom de apóstolo, quando descreve uma pessoa que se locomove, geograficamente, para fundar novas Igrejas, ainda existe. O que não existe é o chefe maior. Acho que chamamos os verdadeiros apóstolos de missionários.

O problema é que a maioria usa o título de apóstolos para firmar sua posição hierárquica superior. O que manda mais, o que sabe mais, o que recebe mais revelação. Há quem se veja capacitado a sobrepor novas doutrinas dizendo que são tão inspirados por Deus quanto Paulo, Pedro, André, etc.

Não existe sequer um texto bíblico dizendo, claramente, que a Igreja tem autoridade para convidar alguém para ocupar esta posição. Jesus e os apóstolos já desencarnaram e não conheço ninguém capaz de nos preparar e nos designar para usar títulos que foram concedidos por Jesus durante o período da sua encarnação. Quando os 12 primeiros foram convidados a participar do grupo apostólico, ainda não fora formado o Corpo de Cristo. Hoje é este Corpo quem envia.

Romanos 1: 1. παυλος δουλος ιησου χριστου κλητος αποστολος αφωρισμενος εις ευαγγελιον θεου.Traducão parcial: "Paulo, servo de Jesus Cristo enviado aos gentios". A palavra apóstolo usada aqui não é uma tradução, mas uma transliteração (a mesma palavra grega escrita com caracteres portugueses). Paulo foi e se apresentou aos gentios como enviado por Deus. A palavra apóstolo usada aqui parece mais uma qualificação do que um título.

Atos dos Apóstolos 13:1-3. Entre os profetas e mestres da igreja de Antioquia da Síria estavam Barnabé e Simeão, chamado Negro, Lúcio de Cirene, Manaém, que tinha sido criado com o rei Herodes Antipas, e Saulo. Certo dia, enquanto adoravam o Senhor e jejuavam, o Espírito Santo disse: “Separem Barnabé e Saulo para realizarem o trabalho para o qual os chamei”. Então, depois de mais jejuns e orações, impuseram as mãos sobre eles e os enviaram em sua missão.

Paulo e Barnabé foram enviados pela Igreja de Antioquia (Atos 13.1-3) e não pelo Deus encarnado (Jesus Cristo). Não temos como reconstruir o ambiente que havia durante o comissionamento apostólico. Foi o Espírito Santo quem os apresentou para a Igreja, assim como faz com todos aqueles a quem envia. Pastores, profetas, evangelistas, mestres, etc. são reconhecidos e enviados pela Igreja para falar do Evangelho para alguém. Paulo e Barnabé atenderam a este chamado.

A excepcionalidade de Paulo se deveu ao seu conhecimento e caráter e não ao seu título. Ele mesmo nunca usou este título, sempre colocava a palavra apóstolo depois de seu nome e não antes. Se você não for um enviado (αποστολος), não vá.

Por Ubirajara Crespo, pastor, conferencista, editor e autor dos livros “Qual o limite para o sofrimento” e “Rota de colisão”.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

 

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