Um Céu criado por homens

(Foto: Shutterstock)

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Publicado em Quarta-feira, 9 Outubro de 2019 as 12:42

Leiam o capítulo inteiro. Isaías 14:14. Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo. 15. Contudo, serás precipitado para o reino dos mortos, no mais profundo do abismo. 16. Os que te virem te contemplarão, hão de fitar-te e dizer-te: É este o homem que fazia estremecer a terra e tremer os reinos?

Olhando para a religiosidade criada por seres humanos parece uma tentativa de criar um Céu abaixo do Céu eterno. É claro que neste ambiente artificial é possível costurar acordos capazes de refrescar o inferno. Para tanto, criam-se compensações religiosas, uma segunda chance no purgatório, inúmeras chances nas próximas reencarnações e maior permissividade das doutrinas universalistas de salvação. Este céu é uma ilusão montada por homens.

Neste ambiente são feitos acordos de toda a espécie, pois instituições sempre têm algo a oferecer em troca de fidelidade ideológica, acobertamento, falsas profecias, arranjos políticos, disfarces religiosos, contratos midiáticos etc.

Para gerenciar essa ideologia religiosa é exigido uma boa dose de megalomania e até uma sensação de semideus. Costumam exigir de seus cúmplices e liderados que divulguem publicamente uma imagem quase divina de seu líder. “O mega sacerdote alcançou uma forte influência lá no alto”. Este sujeito crê que pode liberar bênçãos ligadas ao dinheiro e bens materiais para os fiéis.

Não se esqueça de que a Bíblia diz que o diabo habita nas regiões celestiais, que também ficam lá-em-cima (Ef 6.10-12). A latitude e a longitude podem ser diferentes, mas dá para chega lá tomando um caminho parecido com o original. Haja chão (ou nuvens) para separar estes dois céus. E olha que o sujeito, ao invés de dizer ao povo que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males, estimula esta paixão até às últimas consequências. ‘Oferte cem para ganhar mil’, ‘pague uma e leve três.’

De acordo com a perspectiva bíblica, o deus do dinheiro é Mamon e não Jeová, cujo trono já foi cobiçado por Satanás, mas fica muito mais lá-pra-cima. Ele mesmo mediu esta localização ao admitir o seguinte:

– Subirei e me assentarei no trono do Altíssimo.

Insatisfeito com o título de "Alto", o diabo se candidatou à posição de "Altíssimo".

A megalomania é abastecida com combustível acionado por Satanás e seus comparsas. O sonho da posição máxima é real. Daí vem a sensação de que se tornou capaz de liberar para o povo, a bênção, que bem entender.

Só precisa estimular sonhos de cobiça em seus seguidores e oferecer a sua "unção" como o trampolim de acesso ao mergulho neste mar de desejos. Aí é só correr para um abraço...., que jamais acontecerá.

Por Ubirajara Crespo, pastor, conferencista, editor, autor das notas de rodapé da Bíblia do Guerreiro e dos livros “Qual o limite para o sofrimento” e “Rota de colisão”.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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