Professor que pediu redação sobre sexo anal e oral a crianças é processado

Professor Wendel Santana (direita) escreveu obscenidades no quadro durante a aula. (Foto: República de Curitiba)

Professor Wendel Santana (direita) escreveu obscenidades no quadro durante a aula. (Foto: República de Curitiba)

Publicado em Segunda-feira, 25 Novembro de 2019 as 11:53

O professor de português do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 104 Norte, no Distrito Federal, que pediu aos alunos do 6° ano para escreverem uma redação com termos obscenos, não poderá mais assumir contratos em escolas vinculadas à Secretaria de Educação (SEEDF).

Além disso, um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) também foi aberto pela pasta contra o professor.

O professor Wendel Santana, de 25 anos, tinha um contrato temporário no Centro de Ensino Fundamental e deu aulas no local por 20 dias, substituindo outro docente.

O diretor da escola, Alessandro Rodrigues, afirmou que, assim que Wendel foi contratado, recebeu orientação dada pela coordenação sobre quais conteúdos deveriam ser ministrados aos estudantes, que têm de 10 a 11 anos.

"A princípio, não houve nenhuma reclamação, mas não demorou muito para os pais começarem a relatar os ocorridos. Imediatamente tomamos uma atitude e registramos um boletim de ocorrência", contou o diretor.

No mesmo dia que o professor expôs os termos obscenos no quadro e pediu a atividade aos alunos - última quarta-feira - o professor teve o contrato suspenso pela SEEDF. Na segunda-feira seguinte, a equipe de coordenação convocou uma reunião com os pais e responsáveis.

"Explicamos todos os procedimentos e, inclusive, contratamos uma outra docente para os alunos não ficarem sem aula. Confesso que, em 30 anos de profissão, nunca vi isso acontecer. Essa abordagem sexual não se dá nessa série de forma alguma. Todos nós estamos chocados com a situação", explicou Alessandro.

O diretor ainda reforçou a informação de que as crianças terão atendimentos com psicólogos da instituição.

Atitudes estranhas

Segundo a representante de vendas Jocilene Frazão, 41 anos, que é mãe de uma das alunas que tiraram fotos do quadro com os termos obscenos, contou que a filha, de 12 anos, chegou a relatar comportamentos estranhos do docente em sala dias antes do ocorrido.

"Percebi que ela não estava querendo ir às aulas de português. Quando foi na última na quarta-feira, minha filha me disse que, quando chegou à sala, se deparou com a pornografia no quadro", afirmou.

Após o relato da filha, Jocilene sugeriu que a garota tirasse fotos do quadro para comprovar a atitude.

"Ela posicionou o celular embaixo do caderno, com muito medo, mas registrou tudo. Quando vi, fiquei abismada. No mesmo dia, mostrei para a equipe de coordenação e pedi uma explicação", contou a mãe.

Nas fotografias tiradas pela estudante, é possível ver que o professor escreveu as instruções de como deveria ser feita a redação que ele pedia.

"Escrever sobre polidez e transformações afetivo-sexuais na adolescência. Sexo oral, penetração e preliminares", dizia um dos textos escritos no quadro.

Na ocasião, além de escrever os termos obscenos no quadro, o professor ainda teria convidado uma menina e um menino para ir à frente da classe, para explicar como seria o toque nos órgãos genitais.

O caso foi registrado por cinco famílias na 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte). Conforme ficou registrado no Boletim de Ocorrência, as crianças ficaram assustadas e algumas até se recusaram a assistir à aula.

A investigação está sendo tratada como prioritária pela polícia. Por isso, a corporação informou que não prestará mais informações, com objetivo de garantir o êxito da apuração, bem como preservar as identidades e a privacidade das crianças e adolescentes.

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