Arqueólogos podem ter encontrado Emaús, onde Jesus apareceu após a crucificação

Arqueólogos descobrem as enormes muralhas de Quiriate-Jearim, em Israel. (Foto: Ariel David)

Arqueólogos descobrem as enormes muralhas de Quiriate-Jearim, em Israel. (Foto: Ariel David)

Publicado em Segunda-feira, 2 Setembro de 2019 as 1:03

Arqueólogos encontraram enormes muralhas de uma fortificação helenística de 2.200 anos que poderia identificar a localização da cidade bíblica de Emaús, onde os Evangelhos relatam que Jesus fez sua primeira aparição depois de ser crucificado e ressuscitado. As informações são do Haaretz.

Desde 2017, uma expedição franco-israelense está cavando em Quiriate-Jearim, uma colina com vista para Jerusalém, ao lado da cidade de Abu Ghosh. O local é conhecido principalmente por abrigar a Arca da Aliança por 20 anos antes de ser levada a Jerusalém pelo rei Davi, segundo a Bíblia.

Os enormes muros encontrados por pesquisadores podem ter sido construídos pelo general selêucida que derrotou Judas Macabeu, um famoso líder judeu que liderou a revolta dos Macabeus contra o Império Selêucida.

As paredes maciças das fortificações recém-descobertas têm até três metros de espessura e, em algumas áreas, ainda têm dois metros de altura. Nas últimas semanas, uma equipe de escavações da Universidade de Tel Aviv e do Collège de France também descobriu os restos de uma torre.

Judas Macabeu foi derrotado e morto em 160 a.C. por um exército selêucida liderado por Báquides, um general enviado à Judéia para reprimir a rebelião. O historiador judeu antigo Flávio Josefo e o livro dos Macabeus fornecem listas das cidades fortificadas pelo general, mas Quiriate-Jearim não aparece na relação.

Por outro lado, as listas incluem um local não identificado à oeste de Jerusalém — na estrada estratégica que liga a cidade a Jaffa à costa do Mediterrâneo. Esse lugar era conhecido por Josefo e pelo autor de Macabeus como Emaús.

Dado que não existem outras fortalezas helenísticas conhecidas a oeste de Jerusalém, o arqueólogo Israel Finkelstein e o professor bíblico Thomas Römer sugerem que a colina de Quiriate-Jearim e a cidade adjacente de Abu Ghosh sejam identificadas como Emaús, que foi fortificado por Báquides.

Debate em torno de Emaús

O Evangelho de Lucas diz que Emaús ficava a 60 estádios de Jerusalém, uma medida que se traduz bem nos 11 quilômetros que separam a cidade da colina de Quiriate-Jearim e Abu Ghosh.

Ainda assim, outros estudiosos não confirmam se Lucas e outros cristãos primitivos acreditavam que esse era realmente o local onde o Messias fez sua milagrosa aparição. “Finkelstein e Römer têm um bom argumento arqueológico, geográfico e topográfico. No entanto, permanece sendo uma hipótese”, contesta Benjamin Isaac, professor emérito de história antiga da Universidade de Tel Aviv.

Isaac, que não participou do estudo, disse que não há evidências suficientes para vincular conclusivamente Emaús a Quiriate-Jearim e que há pelo menos dois outros locais próximos que reivindicam o nome.

Tradicionalmente, a maioria dos estudiosos identificava o Emaús dos tempos de Jesus com o que mais tarde se tornou a cidade bizantina de Emaús-Nicópolis, localizada no Vale de Ayalon.

Emaús-Nicópolis se encaixa na descrição mencionada em 1 Macabeus 4 como o local da Batalha de Emaús, mas fica a 25 quilômetros de Jerusalém, mais do que o dobro da distância dada por Lucas — portanto, está longe de ser uma combinação perfeita.

O segundo candidato de alguns estudiosos é a vila moderna de Moza, entre Quiriate-Jearim e Jerusalém. Por outro lado, a área está muito perto de Jerusalém para se ajustar à distância dada no Evangelho de Lucas.

“Geograficamente, acho que a distância para Jerusalém se encaixa bem, então acho que Quiriate-Jearim poderia ter sido o Emaús do Novo Testamento”, conclui Römer.

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