Mianmar retira acusação contra pastor que denunciou perseguição religiosa a Trump

Pastor Hkalam Samson fala com Trump sobre a perseguição religiosa que os cristãos sofrem em Mianmar. (Imagem: WH.GOV / Reprodução)

Pastor Hkalam Samson fala com Trump sobre a perseguição religiosa que os cristãos sofrem em Mianmar. (Imagem: WH.GOV / Reprodução)

Publicado em Quinta-feira, 12 Setembro de 2019 as 11:43

No dia 9 de setembro, os militares de Mianmar retiraram voluntariamente a denúncia contra o pastor Hkalam Samson, que esteve entre os poucos cristãos perseguidos que compartilharam seus testemunhos com o Presidente dos EUA, Donald Trump na segunda reunião ministerial anual para promover a liberdade religiosa em julho deste ano.

"Sou da Convenção Batista do Norte de Mianmar. E então, como cristãos em nossa nação, somos muito oprimidos e torturados pelo governo militar", disse o pastor durante o encontro em Julho.

Samson continuou comentando a falta de liberdade religiosa no país do sudeste asiático: "... não temos muitas chances de liberdade religiosa. E também, grupos étnicos armados lutam contra o governo militar central. Então, por favor, peço ao governo americano se concentre nas pessoas étnicas e no líder étnico para obter democracia geral e federalismo".

De julho até o início de setembro, as observações públicas do pastor desencadearam uma cadeia de eventos de três meses envolvendo as forças armadas de Mianmar, os EUA, o Departamento de Estado e milhares de fiéis no Estado de Kachin e em todo o mundo.

Depois que os comentários do pastor em julho foram transmitidos pelos meios de comunicação dos EUA, um mês depois, os militares de Mianmar examinaram as observações de Samson. O Tenente-Coronel Than Htike do Exército apresentou uma queixa criminal contra o pastor, acusando-o de difamação.

Em setembro, o Departamento de Estado dos EUA se envolveu na questão, alegando que seus oficiais estavam "profundamente preocupados" com a denúncia.

"A denúncia criminal do tenente-coronel contra o reverendo Samson procura limitar indevidamente sua liberdade de expressão e potencialmente pode atrapalhar seu trabalho crítico em nome de dezenas de milhares de pessoas deslocadas internamente", dizia a nota emitida pelo Departamento de Estado dos EUA.

Segundo a reliefweb, a Convenção Batista de Kachin, à qual Samson é ligado, forneceu ajuda e abrigo a milhares de pessoas deslocadas pela violência entre militares e combatentes rebeldes no norte de Kachin.

Apesar de toda a mobilização internacional sobre o caso, o exército retirou a queixa, afirmando que o fez "porque é o que se deve fazer", disse o porta-voz do Exército, Brig. General Zaw Min Tun.

Se fosse condenado por difamação militar em Mianmar, o pastor Samson poderia teria de cumprir 10 anos de prisão.

Deixe um comentário