Pastor é libertado após 16 anos de prisão por defender a liberdade religiosa, no Vietnã

Y Ngun Knul com sua esposa e filhos, após ser libertado de uma provação de 16 anos de prisão. (Foto: Reprodução/Radio Free Asia)

Y Ngun Knul com sua esposa e filhos, após ser libertado de uma provação de 16 anos de prisão. (Foto: Reprodução/Radio Free Asia)

Publicado em Quinta-feira, 26 Março de 2020 as 3:42

O cristão vietnamita Y Ngun Khul, que foi preso por defender a liberdade religiosa de sua comunidade cristã Montagnard e por protestar contra as autoridades que fecharam sua igreja, foi libertado após 16 anos de prisão no final de fevereiro.

Ele apresenta uma série de problemas de saúde, adquiridos durante os anos de confinamento.

"Eu tenho insuficiência renal e pressão alta e tive uma hemorragia gastrointestinal", disse ele em 5 de março.

Y Ngun sofreu espancamentos dos guardas da prisão, deixando-o fisicamente marcado e foi repetidamente chutado no estômago. “Agora eu posso comer apenas uma tigela de arroz por dia porque tenho problemas de estômago que dificultam a respiração. Meu pé também está inchando, dificultando a minha movimentação”, explicou.

Durante sua ausência, a família de Y Ngun perdeu sua casa e terra e conseguiu visitá-lo apenas quatro vezes em 16 anos, pois a casa deles na província de Dak Lok ficava a mais de 800 quilômetros da província de Nghe An, onde Y Ngun estava preso.

Ngun recebeu uma sentença de 18 anos de prisão em 20 de abril de 2004. Ele destacou a discriminação do governo contra sua comunidade, muitas vezes alvo do governo vietnamita.

Muitos cristãos de Montagnard fugiram para o vizinho Camboja e Tailândia para escapar da perseguição sancionada pelo governo.

Um relatório em 2011 afirmou que mais de 350 cristãos de Montagnard, que vivem no Planalto Central, foram presos pelo governo desde 2001.

Em 2019, a Comissão de Liberdade Religiosa Internacional dos Estados Unidos (USCRIF) relatou vários casos de autoridades locais tentando coagir esses cristãos vietnamitas se retratam de sua fé, às vezes com ameaças de agressão física ou banimento.

O relatório estimou que 10.000 Montagnards permanecem apátridas porque as autoridades locais se recusam a emitir carteiras de identidade, registro doméstico ou certidões de nascimento, geralmente porque se recusam a renunciar a Cristo.

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