Polícia fere idosos e prende fiéis para demolir igreja na China

Igreja 'Jesus Verdadeiro' foi demolida na China. (Imagem: Bitter Winter/YouTube)

Igreja 'Jesus Verdadeiro' foi demolida na China. (Imagem: Bitter Winter/YouTube)

Publicado em Quarta-feira, 16 Outubro de 2019 as 9

As autoridades comunistas demoliram uma igreja evangélica na província chinesa de Henan, acusando-a de se envolver em "arrecadação ilegal de fundos", após a remoção forçada de congregantes, ferindo duas pessoas idosas na ação.

De acordo com a organização Bitter Winter, que investiga a perseguição religiosa na China, a Igreja 'Jesus Verdadeiro' foi completamente destruída. Um novo gramado com mudas foi plantado no lugar do templo, sem deixar vestígios de sua existência.

A perseguição começou em 22 de junho, quando cerca de 60 funcionários do Departamento de Assuntos Religiosos invadiram a Igreja Jesus Verdadeiro, localizada na cidade de Caidu, no condado de Shangcai, sob a jurisdição da cidade de Zhumadian, na província central de Henan.

Os oficiais comunistas supostamente cortaram o suprimento elétrico da igreja antes de escalar a parede do pátio para quebrar a trava do portão e adentrar o prédio, onde cerca de 200 crentes estavam se encontrando.

Alegando que a igreja estava envolvida em "angariação ilegal de fundos" e era, portanto, um "edifício ilegal", o diretor do Departamento de Assuntos Religiosos, responsável pelo ataque, ordenou que a pessoa encarregada desocupassem a igreja. Ele informou aos congregantes que a igreja seria convertida em um lar para idosos. No entanto, a congregação se recusou a acatar a ordem.

Nas semanas seguintes, a polícia continuou a assediar a igreja, frequentemente vigiando e registrando todos os cultos e qualquer outra atividade ou movimentação no local.

Pouco mais de um mês depois, quase 1.000 funcionários de vários departamentos do condado se reuniram em uma escola próxima, preparando-se para uma operação de demolição forçada da igreja. Os policiais receberam ordens de prender todos os crentes da igreja, não importando quantos estivessem presentes.

Assim que todas as ordens foram dadas, o grupo de 1.000 pessoas foi à igreja e isolou todas os acessos que levavam ao prédio. Os oficiais invadiram o local e começaram a prender os congregantes que estavam guardando a igreja. Dois fiéis idosos ficaram feridos; um foi levado ao hospital, porque sua pressão arterial aumentou devido ao estresse.

Depois de vasculhar a igreja, a polícia levou um piano e quatro aparelhos de ar condicionado. A partir de então, oito escavadeiras começaram a demolir a igreja, no valor de cerca de 10 milhões de RMB (cerca de US $1.400.000).

As autoridades continuaram a perseguir os membros da igreja, mesmo depois que o templo foi demolido. Em agosto, oito pessoas da liderança da igreja e 13 membros foram acusados ​​de cometer “detenção ilegal” do diretor do Departamento de Assuntos Religiosos e foram presos.

Um membro de igreja comparou o incidente aos eventos durante o massacre da Praça da Paz Celestial de 1989.

“O Partido Comunista da China convocou estudantes universitários para tumultos e usou tanques para esmagar muitos deles até a morte. O Partido Comunista recorrerá a todos os meios possíveis para alcançar seus objetivos”, comentou o crente.

Contexto

Nos últimos 20 anos, a China foi rotulada pelo Departamento de Estado dos EUA como um "país de especial preocupação" por violações da liberdade religiosa. Sob comando do presidente Xi Jinping, o governo destruiu inúmeras igrejas e removeu suas torres e cruzes, refletindo as preocupações do Partido Comunista sobre o crescente número de cristãos no país.

Mais de 60 milhões de cristãos vivem na China, dos quais pelo menos 50% cultuam em igrejas não registradas.

Em setembro, foi relatado que funcionários do governo chinês exigiram que o clero afiliado à igreja protestante sancionada pelo Estado baseasse seus sermões em um novo livro que combina a mensagem bíblica com os ensinamentos de Confúcio, um dos filósofos mais influentes da história chinesa.

Também em setembro, foi relatado que igrejas em toda a província central de Henan, na China, foram forçadas a substituir os Dez Mandamentos pelas citações do Presidente Xi em meio à pressão do governo.

No início de 2018, o regime comunista aprovou novos regulamentos sobre assuntos religiosos na China que proibiam ensinamentos religiosos "não autorizados". As novas leis levaram à perseguição de membros de outras tradições religiosas não reconhecidas oficialmente pelo Estado. Além dos cristãos, os grupos religiosos perseguidos incluem os muçulmanos uigures, bem como outras minorias religiosas, incluindo budistas tibetanos e Falun Gong.

Russell Moore, presidente da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa, o braço de políticas públicas da Convenção Batista do Sul, classificou as notícias como "extremamente alarmantes".

"O reinado de terror da China contra as minorias religiosas deve ser recebido com uma vigorosa resposta dos Estados Unidos", afirmou Moore, segundo a Baptist Press, acrescentando que as restrições aos "responsáveis pela perseguição de minorias religiosas são justas e sábias".

Ele ora para que os Estados Unidos "continuem a agir até o dia em que o Partido Comunista Chinês não aterrorize mais as pessoas de fé por acreditarem e viverem suas mais profundas convicções", afirmou Moore.

Bob Fu, presidente da organização cristã de direitos humanos China Aid, elogiou as restrições do governo, descrevendo ambas como "grandes ações concretas no avanço da liberdade religiosa na China".

A Missão Portas Abertas (EUA) classifica a China como o 27º pior país do mundo quando se trata de perseguição religiosa aos cristãos em sua lista de observação mundial de 2019.

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