EUA declaram Cuba como país patrocinador do terrorismo

Poucos dias antes de deixar a Casa Branca, o governo Trump declarou Cuba financiadora do terrorismo. (Foto: Al Drago/Bloomberg/Getty Images)

Poucos dias antes de deixar a Casa Branca, o governo Trump declarou Cuba financiadora do terrorismo. (Foto: Al Drago/Bloomberg/Getty Images)

Publicado em Terça-feira, 12 Janeiro de 2021 as 9:48

O Departamento de Estado dos Estados Unidos colocou Cuba de volta em uma lista de Estados patrocinadores do terrorismo, citando o apoio do país comunista à Venezuela. O anúncio foi feito na segunda-feira (11), poucos dias antes do presidente Donald Trump deixar a Casa Branca.

Em comunicado, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse que Cuba abrigou fugitivos e se envolveu em “uma série de comportamentos malignos em toda a região”, oprimindo seu próprio povo e cooperando com o regime de Nicolás Maduro na Venezuela.

“Com esta ação, vamos mais uma vez responsabilizar o governo de Cuba e enviar uma mensagem clara: o regime de [Fidel] Castro deve acabar com seu apoio ao terrorismo internacional e à subversão dos EUA”.

Pompeo disse ainda que os EUA continuarão “apoiando o povo cubano em seu desejo por um governo democrático e respeito pelos direitos humanos, incluindo liberdade de religião, expressão e associação”.

“Até que esses direitos e liberdades sejam respeitados, continuaremos responsabilizando o regime”, ele destacou.

A declaração coloca Cuba de volta a uma lista do governo de Ronald Reagan, onde estava até a presidência de Barack Obama. Em 2016, Obama se tornou o primeiro presidente dos EUA a visitar a ilha caribenha desde 1928.

O governo Obama tentou normalizar as relações com Cuba em 2015, mas encontrou resistência do presidente Trump por considerar que o país não cooperou no contraterrorismo.

Não está claro quanto tempo a designação vai durar, já que o ex-vice-presidente de Obama, Joe Biden, vai assumir a Casa Branca em 20 de janeiro.


Em 2016, Barack Obama foi o primeiro presidente dos EUA a visitar Cuba desde 1928. (Foto: EPA)

Segundo o Departamento de Estado dos EUA, Cuba se recusou a extraditar 10 suspeitos procurados na Colômbia por um atentado a bomba em uma academia de polícia, que matou 22 pessoas e feriu outras dezenas. 

As autoridades também acusaram Cuba de abrigar vários fugitivos americanos, incluindo Joanne Chesimard, também conhecida como Assata Shakur. Ela foi condenada pelo assassinato do policial estadual de Nova Jersey, Werner Foerster, em 1973.

Com Trump, a relação entre os países piorou à medida que diplomatas americanos adquiriam doenças estranhas, incluindo trauma cerebral, no país socialista. No verão de 2017, Trump impôs restrições financeiras e de viagens a Cuba e, ao mesmo tempo, declarou como “unilateral” o acordo de 2016 de Obama com o regime.

O ex-conselheiro de Obama, Ben Rhodes, pediu ao próximo governo que reverta a decisão de Trump. 

“O governo Biden não deve se permitir ser restringido por favores políticos de última hora feitos por um governo autoritário que recentemente buscou derrubar o governo dos EUA eleito democraticamente”, disse Rhodes no Twitter. "Esta decisão deve ser revertida o mais rápido possível”.

A Bloomberg informou no mês passado que a equipe de Biden estava planejando reverter algumas das ações que o governo Trump havia tomado até aquele ponto. Isso incluiu a redução das restrições a viagens, remessas e investimentos.

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