Max Lucado fala sobre abuso que sofreu na infância: "Jesus esteve presente na tempestade"

Max Lucado contou detalhes do abuso sexual que sofreu na infância. (Foto: Max Lucado/Facebook)

Max Lucado contou detalhes do abuso sexual que sofreu na infância. (Foto: Max Lucado/Facebook)

Publicado em Terça-feira, 15 Setembro de 2020 as 2:42

O pastor e escritor Max Lucado contou alguns detalhes do abuso sexual que sofreu na infância em uma coluna publicada no domingo (13) no jornal The Dallas Morning News.

“Eu tinha idade para jogar beisebol, futebol americano e andar de bicicleta, mas não para processar o que cruzou meu caminho naquele ano: o abuso sexual nas mãos de um homem adulto”, disse Lucado.

Lucado revelou que o abusador entrou em sua vida “disfarçado de mentor”, depois de fazer amizade com várias famílias na pequena cidade de Andrews, no Texas. “Me lembro dele como alguém engraçado, charmoso e generoso. O que eu não sabia — o que ninguém sabia — é que ele era um predador”, conta.

O autor revelou que o abusador usava diversos meios para atrair as crianças: “Ele nos chamava para comer hambúrguer na casa dele. Ele nos levava para passear no caminhão dele. Ele nos levou para caçar e fazer caminhadas, e se ofereceu para responder a todas as perguntas sobre a vida, o amor e as meninas. Ele tinha revistas, do tipo que o meu pai não permitia. E ele fazia, e fez a gente fazer coisas que não vou repetir e não consigo esquecer”.

O fim de semana em um acampamento foi “especialmente perverso”, lembra Lucado. “Ele colocou cinco de nós em uma picape e dirigiu até a área de camping. Entre seu pacote de barracas e sacos de dormir, havia algumas garrafas de uísque. Ele bebeu durante todo o fim de semana e foi até a tenda de cada menino. Ele disse para não contarmos a nossos pais, sugerindo que éramos os culpados por seu comportamento. Ao nos fazer jurar segredo, ele disse que estava nos impedindo de ter problemas. Que canalha”.

Lucado lembra que voltou para casa no domingo à tarde se sentindo “imundo e cheio de vergonha”. Por causa do acampamento, ele tinha perdido o culto de ceia na igreja naquela manhã. “Se alguma vez precisei da comunhão, foi naquele dia. Então, encenei minha própria Eucaristia”, relata. 

“Esperei meus pais irem para a cama e fui para a cozinha. Não consegui encontrar nenhum biscoito, mas encontrei algumas batatas do almoço de domingo. Não consegui encontrar nenhum suco, então usei leite. Coloquei as batatas em um pires e despejei o leite em um copo e celebrei a Crucificação de Cristo e a redenção da minha alma”, continua.

Foi neste momento que ele foi tocado pelo consolo de Deus. “O que faltou no sacramento foi compensado com ternura. Jesus me encontrou naquele momento. Eu o senti seu amor, sua presença. Não me pergunte como eu sabia que Ele estava perto. Eu apenas sabia. Jesus estava presente na minha tempestade”, afirma.

“Não podemos ir aonde Deus não está. Olhe por cima do seu ombro, é Deus te seguindo. Olhe para a tempestade, é Cristo vindo em sua direção. Ele ainda é o grande Eu Sou. Quando nos vemos no meio das águas da Galiléia, sem a praia à vista, Ele vem até nós”, finalizou.

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